Defesa de Bolsonaro pede suspensão de prisão a Nunes Marques
Pedido apresentado nesta quinta-feira (24) questiona a competência da Primeira Turma e aponta supostas falhas no acesso da defesa às provas

O ex-presidente Jair Bolsonaro | Diego Herculano/Reuters
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão imediata da execução da pena de 27 anos e 3 meses de prisão. O pedido foi apresentado nesta quinta-feira (24) ao ministro Kassio Nunes Marques, que é o relator da revisão criminal.
Os advogados querem que a execução da pena seja interrompida até o julgamento definitivo da revisão criminal ou até que o pedido seja analisado pelo Plenário do STF. Bolsonaro cumpre a pena em regime domiciliar humanitário desde março.
O principal argumento apresentado pela defesa é que a condenação teria sido proferida pela Primeira Turma do STF, e não pelo Plenário. Os advogados sustentam que o Regimento Interno da Corte determina que cabe ao Plenário processar e julgar, nos crimes comuns, o presidente da República.
"A execução da pena deve ser suspensa porque há plausibilidade qualificada de que a condenação tenha sido proferida por órgão absolutamente incompetente no âmbito interno do Supremo Tribunal Federal", diz a liminar.
A defesa afirma que os fatos pelos quais Bolsonaro foi condenado foram atribuídos a ele durante o exercício da Presidência e em razão das funções do cargo. Por isso, argumenta que a competência do Plenário deveria ter sido mantida mesmo após o fim do mandato.
Os advogados ainda citam um voto divergente do ministro Luiz Fux no julgamento da ação penal de Bolsonaro. Segundo a petição, Fux considerou que, caso fosse mantida a competência do STF para analisar o processo, o julgamento deveria caber ao Plenário.
Defesa também questiona acesso às provas
Outro argumento apresentado no pedido envolve o acesso da defesa ao material produzido durante a investigação. Os advogados afirmam que parte das provas teria sido disponibilizada de forma "tardia e progressiva".
Segundo a petição, cerca de 40 terabytes de documentos e mídias começaram a ser disponibilizados em maio de 2025, enquanto o conjunto total teria chegado a aproximadamente 70 terabytes.
A defesa afirma que alguns arquivos exigiam senhas e que novos materiais continuaram sendo disponibilizados mesmo depois do início das audiências de instrução.
Os advogados alegam que a forma e o momento de disponibilização do material teriam prejudicado a preparação da defesa. A petição cita, ainda, manifestação do ministro Luiz Fux sobre a disponibilização tardia de grande volume de dados.
























