Gilmar vê condução indevida de Fux e atuação com Mendonça
Decano da corte enviou ofício a Fux, que preside a segunda Turma do STF, para criticar votos que formaram maioria para afastar Andrei Passos Rodrigues da PF

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Em um ofício enviado no dia 11 de setembro, o ministro do STF Gilmar Mendes questionou a atuação de Luiz Fux, presidente da Segunda Turma, em relação ao afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues. No documento, que a coluna teve acesso, o decano aponta atuação indevida e acusa Fux de ter combinado previamente com André Mendonça para apoiá-lo.
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No dia 8 de setembro, de forma monocrática, Mendonça afastou o diretor-geral da Polícia Federal e também Leandro Almada da Costa (Diretor de Inteligência Policial). Assim que a decisão entrou para deliberação da turma, Gilmar pediu vista, mas os ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux acompanharam o voto de Mendonça e formaram maioria para manter o afastamento, que depois foi revisto por decisão do ministro Flávio Dino e, por fim, suspenso por determinação do presidente do STF, Edson Fachin.
No ofício, Gilmar Mendes cita uma cronologia dos fatos com horários das decisões. Diz que a decisão foi, às 8h43, lançada no andamento processual e que ele tomou conhecimento, por meio da imprensa, às 8h50.
"Somente às 9h38min, ou seja, após a inclusão do processo em pauta, meu gabinete recebeu a comunicação oficial, da Secretaria da Segunda Turma desta Suprema Corte, acerca da convocação de sessão virtual extraordinária agendada para se iniciar às 10h da manhã do 8.9.2026".
Segundo Gilmar, a dinâmica dos acontecimentos demonstraria um prévio ajuste de conduta entre Mendonça, Fux e Kássio Nunes Marques.
"A comunicação oficial da convocação chegou ao meu gabinete vinte e dois minutos antes do início da sessão. Não é razoável esperar que, nesse intervalo, um julgador examine os autos, compreenda a extensão da medida e forme convicção segura sobre a sua legitimidade. Todas essas circunstâncias, a meu ver, são capazes de evidenciar uma condução indevida dos trabalhos, que não se compatibiliza (i) com o princípio da colegialidade; (ii) com o dever de equidistância que a função de presidir um órgão judicial impõe a quem a exerce e (iii) com a lealdade institucional que deve orientar a relação entre juízes que ostentam a mesma posição na hierarquia do Poder Judiciário", afirmou o decano.
"Todas essas circunstâncias, a meu ver, são capazes de evidenciar uma condução indevida dos trabalhos, que não se compatibiliza (i) com o princípio da colegialidade; (ii) com o dever de equidistância que a função de presidir um órgão judicial impõe a quem a exerce e (iii) com a lealdade institucional que deve orientar a relação entre juízes que ostentam a mesma posição na hierarquia do Poder Judiciário", escreve Gilmar a Fux.
Mendes também justificou o envio do documento. "Não escrevo este ofício por apego a formalidades, nem por inconformismo com o colegiado. Escrevo-o porque entendo indispensável preservar a instituição a que pertencemos, sendo certo que essa preservação perpassa, necessariamente, pelo respeito aos ritos e às tradições que antecedem as suas decisões."
"Diante de todas essas razões, registro, na posição de Decano do Supremo Tribunal Federal, membro desta Corte há mais de 24 (vinte e quatro) anos, a necessidade de tratar todos os membros da Turma de forma igualitária, sob pena de inviabilizar a participação em sessões designadas mediante entendimento reservado entre o Presidente da Turma e o Relator, à margem dos demais integrantes do colegiado," finalizou. O SBT News entrou em contato com o gabinete do ministro Luiz Fux e aguarda um posicionamento.
























