Mario Frias não acessou autos por “fugir” de intimações
Deputado foi alvo de operação nessa semana por suspeitas de irregularidades no uso de emendas e na produção do filme Dark Horse

O deputado Mário Frias | Bruno Spada/Câmara dos Deputados
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, mandou intimar por diversas vezes o ex-deputados Mario Frias a respeito das suspeitas de uso irregular de emendas parlamentares. Em todas elas, no entanto, os oficiais de Justiça não encontraram Frias nos endereços apontados como dele.
Essa é uma das razões para que Frias ainda não tenha tido acesso aos autos, como afirmou em um vídeo após a operação da Polícia Federal realizada na última quinta-feira (10) por ordem do ministro de Dino.
A primeira ordem de intimação de Dino aconteceu no dia 21 de março. Na ocasião, além de Mario Frias, Dino pediu a intimação dos deputados Marcos Pollon(PL-MS) e Bia Kicis(PL-DF). Dino é relator do caso que investiga emendas parlamentares federais destinadas a empresas suspeitas de financiarem a produção do filme Dark Horse e foi dentro deste caso que ele determinou a operação da quinta-feira.
Eu um vídeo gravado depois da operação, Mario Frias falou em 'cortina de fumaça' e disse que não há nada de errado na produção do filme que conta a biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. E ainda falou que seus advogados não conseguiram ter acesso aos autos. "Como é que pode se defender de alguma acusação sem ler? A gente descobre o que estão dizendo pelo jornal no mesmo dia em que a sua porta é arrombada", disse. "Agora, o que ficou de fora das manchetes? Primeiro, a minha defesa pede acesso ao inquérito a vezes", completou.
Apesar disso, depois da notificação de Dino, em março, para que os deputados fossem intimados, no dia 14 de abril um oficial de Justiça enviou ao gabinete do ministro a informação de que Frias não havia sido localizado.

Depois disso, Dino voltou a ordenar a intimação de Frias, mas recebe uma nova negativa do oficial de Justiça.
“Certifica-se que não foi possível estabelecer contato com o deputado Mario Luiz Frias. Dia 13.05, às 15h47, estabeleceu-se contato telefônico como o gabinete do parlamentar, mas a secretária informou que Mario Luiz Frias estava em missão internacional e não havia informação sobre a data de seu retorno. Na sequência, tentou-se contato telefônico com seu assessor, Diego Garcia Ramos, porém sem êxito, o telefone celular sempre desligado. Nesta data, às 15h18, diligenciou se ao endereço constante da presente ordem, contudo o zelador informou que o intimando não reside no endereço há ao menos dois anos. Dessa forma, sem êxito no cumprimento da diligência, devolve se o presente mandado sem o cumprimento da ordem mele exarada, até nova determinação”, diz documento assinado por outro oficial de justiça em 18 de maio.
Dino chegou a enviar um ofício à Câmara para que o endereço de Frias fosse atualizado para que ele pudesse ser localizado. E diante de notícias de que o deputado estaria fora do país - em viagens para os Estados Unidos e o Bahrein antes da autorização formal da Câmara dos Deputados, o presidente da Câmara Hugo Motta informou ao gabinete do ministro que o deputado havia pedido autorização para as viagens, mas isso ainda seria avaliado.
Mario Frias chegou a gravar um vídeo no exterior, dizendo que assim que retornasse ao Brasil estaria à disposição do ministro para prestar esclarecimentos. O que ainda não aconteceu.
No vídeo gravado em sua defesa, Frias ainda fez questão de reiterar seu apoio a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência e, apesar de não revelar que tem 'fugido' dos oficiais de Justiça, declarou que vai entregar as informações solicitadas pela investigação.
"Vou entregar cada documento e vou seguir na rua, mantendo a minha agenda, representando São Paulo e apoiando o meu presidente Flávio Bolsonaro".
O SBT News tenta contato com a defesa do deputado Mario Frias. Caso haja manifestação, o texto será atualizado.




















