Política

Gilmar ataca Mendonça: boneco de campanha e pixuleco

Decano do STF fez postagem defendendo Paulo Gonet e acusando André Mendonça de agir com métodos similares ao da Lava Jato

Avatar de Carla Araújo
Carla Araújo
Gilmar Mendes e André Mendonça | Reprodução

Gilmar Mendes e André Mendonça | Reprodução

Depois de protagonizar um bate boca acalorado no STF na última terça-feira (15), o ministro Gilmar Mendes voltou a criticar a conduta do ministro André Mendonça e acusar o colega de interesses eleitorais.

📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! Clique aqui e siga o canal do SBT News.

Sem citar nominalmente Mendonça, Gilmar Mendes disse, em postagem no X, que Mendonça estaria atuando por meio de vazamentos seletivos da investigação do Master e que estaria buscando apoio da opinião pública.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.

Siga no Google Discover

"A intenção de lucrar politicamente com o episódio ficou escancarada quando o relator fez publicar vídeo nas redes sociais agradecendo o apoio popular. Apoio a quê, exatamente? A um ato que ele mesmo admitiu não ter fundamento contra a pessoa exposta? Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral", escreveu o decano.

A postagem de Gilmar começa defendendo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que teve mensagens com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro vazadas. Na sessão de terça-feira, Gonet negou ter relação com Vorcaro e, foi no momento que Mendonça confirmou que ele estaria citado nas investigações que Gilmar Mendes se alterou e chamou a atitude de Mendonça de leviana.

Segundo Gilmar, Gonet "tem reputação ilibada e vida pública de lisura insuspeita" e "teve a honra injustamente manchada pelo levantamento do sigilo de conversas que nada de ilícito retratavam". "Ainda assim, assistimos na terça-feira a uma cena lamentável. Em plenário, o próprio relator reconheceu, em alto e bom som, a lisura da conduta de Gonet e admitiu que nada havia contra ele. Nada. Então por que expor? Quem atesta a honra de alguém só depois de tê-la arrastado pela praça pública não está corrigindo um erro: está confessando que ele era evitável".

Comparação com a Lava Jato

Assim como falou na sessão, o decano na corte citou a utilização de bonecos infláveis - que ficaram conhecidos como pixulecos - nos atos de 7 de setembro.

"Já vimos esse filme. Na Lava Jato, Deltan Dallagnol e Sergio Moro transformaram vazamento seletivo em método. A ideia era sempre criar o fato consumado antes da ação penal, colher os dividendos políticos e deixar a defesa correndo atrás de um julgamento que a opinião pública já havia feito. Linchamento coletivo serve para esvaziar o direito de defesa e enterrar a presunção de inocência", escreveu Gilmar.

"E, como na Lava Jato, a hora nunca é ao acaso. Lá, sigilos caíam a poucas semanas das eleições. Aqui, o levantamento apareceu às vésperas do 7 de Setembro, para inflar as ruas, arrancar dividendos políticos, sujar reputações e intimidar quem se opõe a esse método. No fundo, o alvo é o direito de defesa de pessoas contra as quais esses agentes nutrem algo que se parece muito mais com vingança do que com justiça", completou.

A coluna procurou o ministro André Mendonça para comentar a postagem de Gilmar Mendes, mas ainda não obteve retorno. Auxiliares do ministro veem na atitude de Gilmar e dos demais colegas que publicamente estão apoiando o ministro Alexandre de Moraes tentativa de enfraquecer e desgastar Mendonça em meios às discussões sobre a possibilidade de abertura de investigação contra os ministros.

Mais da Coluna da Carla

Últimas notícias de Política