Mendonça diz que já esperava represálias: nada tenho a temer
Ministro do Supremo tem sido alvo de ataques de colegas de Corte em meio à crise sobre as relações de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master

Ministro André Mendonça, do Supremo | Divulgação/Gustavo Moreno/STF
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça, afirmou, em mensagem enviada à coluna, que já aguardava ataques e represálias por conta das investigações do Banco Master, mas não pretende deixar de fazer o que acredita ser o certo.
“Quando decidi levar adiante as informações que recebi da Polícia Federal, sabia que viriam represálias. Fui advertido, de forma implícita e explícita, de que viriam ataques à minha pessoa e a pessoas próximas a mim. Conforme ensina [Arthur] Schopenhauer [filósofo alemão], dentre os estratagemas para se tentar vencer um debate sem ter razão estão os ataques pessoais contra quem se diverge, fazendo-o de forma injusta, ofensiva e insultante”, escreveu.
Mais cedo, o gabinete do ministro já havia divulgado uma nota para rebater a postagem do decano Gilmar Mendes, que voltou a falar de interesses eleitorais de Mendonça.
Além disso, reportagem publicada pelo UOL nesta quinta-feira (17) mostrou que o Instituto Iter, fundado pelo ministro André Mendonça, recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro Participações. Segundo a reportagem, o dono da holding, Lucas Kallas, foi parceiro de negócios do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.
“Nada tenho a temer. Assim, apesar dos ataques e tentativas de intimidação, seguirei cumprindo meu dever com serenidade e responsabilidade”, afirmou Mendonça.
O ministro anunciou sua saída do Instituto Iter no começo do mês.
Em nota, o Instituto Iter confirmou que "celebrou contrato de mútuo conversível com a Cedro Participações S.A.", mas que operação está "integralmente registrada no balanço do Instituto e declarada aos órgãos competentes desde o primeiro demonstrativo financeiro, com os tributos recolhidos" e "não envolveu recursos, incentivos ou subvenções públicas".
Além disso, a entidade explicou que nem Lucas Prado Kallas nem o ministro André Mendonça participaram das tratativas sobre o aporte. "Não discutiram valores ou condições contratuais, não negociaram e não assinaram o instrumento", complementa.
"Esclarece-se, ainda, que o ministro André Mendonça não integra o quadro societário do Instituto Iter. Conforme havia anunciado publicamente, qualquer resultado concernente à sua quota seria destinado a obras sociais e educacionais. Enquanto dele fez parte, jamais recebeu dividendos, distribuição de lucros ou participação nos resultados, e sua atuação no Instituto sempre se restringiu ao âmbito acadêmico, como docente. À época da celebração do contrato, o senhor Lucas Prado Kallas, sócio da Cedro Participações S.A., integrava o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável da Presidência da República. Nada, naquele momento, desabonava a empresa ou seus sócios, nem recomendava óbice à contratação", esclarece o Iter.






















