Lula quer barrar bets, mas governo vê entraves
Presidente tem prometido em entrevistas na campanha à reeleição que vai enquadrar empresas e que problema é de saúde pública

Presidente Lula (PT) faz discurso em reunião ministerial | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta semana que tem como “disposição pessoal acabar com as bets”. A fala movimentou auxiliares que passaram a trabalhar em medidas que poderiam enquadrar de alguma forma os jogos on line.
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Não há, no entanto, uma solução simples para o problema. E qualquer decisão tem que levar em conta o impacto econômico da medida, que envolve grandes empresas, times de futebol e setores da mídia.
Na Casa Civil, por exemplo, a fala de Lula foi recebida como uma ordem para encontrar uma alternativa “para ontem”. Na equipe econômica, que regulamentou o setor há poucos meses, a palavra foi cautela.
Lula está sensibilizado com relatos de famílias sendo destruídas pelo vício do jogo. Além disso, a preocupação com o endividamento das famílias já é uma antiga dor de cabeça para o presidente.
Agora, com o agravamento da situação de famílias com o vício em bets, Lula tem reforçado que, além de um problema econômico, se trata de um problema de saúde pública.
“A minha disposição pessoal é acabar com as bets. Obviamente que eu tenho que ouvir outras pessoas, porque eu não posso tomar uma decisão abrupta, sem pensar nas consequências dela. Mas sinceramente, as bets, hoje, é uma desgraça nesse país para o povo pobre que trabalha e que perde seu dinheiro jogando”, afirmou o presidente”, disse Lula, em entrevista ao podcast “Desce a Letra Show”.
O tempo eleitoral pressiona
Por mais complexa que seja a solução, Lula quer fazer o anúncio ainda durante a campanha. Ou ficará apenas no discurso de “algo será feito”.
Fontes próximas ao presidente disseram que ele deu como prazo o retorno da Assembleia-Geral da ONU, onde ele fará o discurso de abertura no dia 22. Em sua volta ao Brasil, o presidente quer avaliar o que foi elaborado pelos ministérios.
Aumento do Bolsa Família e a ‘justiça social’
Se ainda não encontrou uma solução para as bets, na quinta-feira (17), Lula conseguiu anunciar o reajuste do Bolsa Família.
O ministro Dario Durigan, que acumula o posto de porta-voz da campanha para a área econômica, demonstrou ao presidente que a recomposição inflacionária - acumulada desde março de 2023 - cabia no Orçamento.
Como mostrou o SBT News, Lula bateu o martelo sobre o reajuste do Bolsa Família horas antes do anúncio feito pela equipe econômica. Quis ouvir, além das garantias da equipe econômica, a Advocacia-Geral da União.
O governo sabia que seria acusado de que se trata de uma medida populista eleitoreira e até torcia para que Flávio Bolsonaro questionasse a medida na justiça.
O discurso para defender a medida é que sempre vai existir “uma elite” que não quer “justiça social”. E que o sentimento dos críticos ao Bolsa Família é de “avareza”.
Em modo campanha ativado e vendo seu adversário colar nele nas pesquisas de intenção de voto, Lula e o PT buscam todas as medidas possíveis para fazer o “uso da máquina dentro da lei”. Ou como gostava de repetir o ex-presidente Jair Bolsonaro: “dentro das quatro linhas da Constituição”.






















