Lula definiu aumento do Bolsa Família horas antes do anúncio
Decisão ocorreu em meio à preocupação da campanha petista com o avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas; governo nega relação entre reajuste e eleições
Túlio Amâncio, Eduardo Gayer
Presidente Lula fala sobre investigações do Banco Master | Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu nesta quinta-feira (17) pelo reajuste de 15,04% nos valores do Bolsa Famíliahoras antes do anúncio oficial da medida. Segundo relatos de integrantes da campanha petista, a decisão ocorreu em meio à preocupação da equipe com o desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas de intenção de voto.
O reajuste foi anunciado a 17 dias do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro. O benefício mínimo passará de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio pago às famílias subirá de R$ 675 para R$ 777. A medida começa a valer na folha de outubro e deve alcançar 19,3 milhões de famílias.
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De acordo com três integrantes da campanha ouvidos sob reserva, levantamentos internos contratados pelo PT mostraram um cenário de avanço de Flávio Bolsonaro. Na avaliação desses integrantes, o desempenho dos candidatos no primeiro turno é um dos fatores considerados na estratégia eleitoral para a segunda etapa da disputa.
A pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (14) mostrou Lula com 36% das intenções de voto no primeiro turno, contra 31% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, Flávio apareceu numericamente à frente, com 42%, contra 40% de Lula, em empate técnico dentro da margem de erro.
Reuniões
Segundo relatos obtidos pela reportagem, Lula vinha discutindo com integrantes do governo alternativas para ampliar o poder de compra dos beneficiários do programa.
Na segunda-feira (14), em uma reunião com os ministros Bruno Moretti, do Planejamento, Dario Durigan, da Fazenda, e Miriam Belchior, da Casa Civil, o governo discutiu medidas na área econômica e o espaço fiscal disponível para novas ações.
A possibilidade de reajuste do Bolsa Família avançou nos dias seguintes. A equipe econômica chegou ao percentual de 15,04%, correspondente à inflação acumulada pelo INPC desde março de 2023 até agosto de 2026.
A proposta deveria ser apresentada a Lula na quarta-feira (16), mas a agenda do presidente, que participou de compromissos de campanha em Ceilândia, no Distrito Federal, impediu a reunião.
Nesta quinta, Miriam Belchior apresentou a proposta ao presidente, que deu o aval para a medida.
Eleições
O governo nega que o reajuste tenha sido decidido por razões eleitorais.
O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou que a correção está prevista na legislação do Bolsa Família e corresponde à reposição da inflação acumulada desde 2023. O governo também sustenta que encontrou espaço no Orçamento para bancar a medida sem aumentar a despesa total nem descumprir a meta fiscal.
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, afirmou ao SBT News que a equipe econômica identificou espaço fiscal durante a elaboração da prévia do relatório bimestral de receitas e despesas, que será divulgado em 24 de setembro.
Segundo Dias, parte dos recursos virá de valores inicialmente previstos para o programa de redução da fila do INSS. O ministro afirmou que o remanejamento permite financiar o reajuste sem a necessidade de créditos extraordinários.
"A equipe econômica alegava falta de espaço fiscal no primeiro semestre. Mas, esta semana, ao elaborar a prévia do relatório bimestral, descobriu que era possível localizar saldo do valor que foi previsto para zerar a fila do INSS, dentro da meta fiscal", afirmou Dias ao SBT News.
O ministro disse ainda que a medida terá impacto de R$ 5,8 bilhões neste ano e que o governo pretende acomodar o custo no Orçamento de 2027.
Impacto fiscal
O governo estima que o reajuste terá impacto de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de cerca de R$ 22 bilhões em 2027. Para o próximo ano, será necessário alterar a proposta de Orçamento enviada ao Congresso no fim de agosto, que não previa a correção dos benefícios.
O governo afirma que a atualização recompõe perdas inflacionárias e preserva o poder de compra dos beneficiários. O novo valor mínimo será de R$ 691, e o benefício médio chegará a R$ 777.
A proximidade com a eleição, no entanto, colocou a medida no centro do debate político. O anúncio ocorre poucos dias depois de pesquisas mostrarem uma disputa mais acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quinta-feira (17), Lula apareceu com 44,1% das intenções de voto no primeiro turno, contra 41,7% de Flávio. No segundo turno, os dois ficaram tecnicamente empatados: 46,8% para Lula e 47,2% para Flávio.
Lula definiu aumento do Bolsa Família horas antes do anúncioDecisão ocorreu em meio à preocupação da campanha petista com o avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas; governo nega relação entre reajuste e eleiçõesEleições2026-09-17T21:43:35.267ZO presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu nesta quinta-feira (17) pelo reajuste de 15,04% nos valores do Bolsa Família horas antes do anúncio oficial da medida. Segundo relatos de integrantes da campanha petista, a decisão ocorreu em meio à preocupação da equipe com o desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas de intenção de voto. O reajuste foi anunciado a 17 dias do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro. O benefício mínimo passará de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio pago às famílias subirá de R$ 675 para R$ 777. A medida começa a valer na folha de outubro e deve alcançar 19,3 milhões de famílias. De acordo com três integrantes da campanha ouvidos sob reserva, levantamentos internos contratados pelo PT mostraram um cenário de avanço de Flávio Bolsonaro. Na avaliação desses integrantes, o desempenho dos candidatos no primeiro turno é um dos fatores considerados na estratégia eleitoral para a segunda etapa da disputa. A pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (14) mostrou Lula com 36% das intenções de voto no primeiro turno, contra 31% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, Flávio apareceu numericamente à frente, com 42%, contra 40% de Lula, em empate técnico dentro da margem de erro. Reuniões Segundo relatos obtidos pela reportagem, Lula vinha discutindo com integrantes do governo alternativas para ampliar o poder de compra dos beneficiários do programa. Na segunda-feira (14), em uma reunião com os ministros Bruno Moretti, do Planejamento, Dario Durigan, da Fazenda, e Miriam Belchior, da Casa Civil, o governo discutiu medidas na área econômica e o espaço fiscal disponível para novas ações. A possibilidade de reajuste do Bolsa Família avançou nos dias seguintes. A equipe econômica chegou ao percentual de 15,04%, correspondente à inflação acumulada pelo INPC desde março de 2023 até agosto de 2026. A proposta deveria ser apresentada a Lula na quarta-feira (16), mas a agenda do presidente, que participou de compromissos de campanha em Ceilândia, no Distrito Federal, impediu a reunião. Nesta quinta, Miriam Belchior apresentou a proposta ao presidente, que deu o aval para a medida. Eleições O governo nega que o reajuste tenha sido decidido por razões eleitorais. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou que a correção está prevista na legislação do Bolsa Família e corresponde à reposição da inflação acumulada desde 2023. O governo também sustenta que encontrou espaço no Orçamento para bancar a medida sem aumentar a despesa total nem descumprir a meta fiscal. O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, afirmou ao SBT News que a equipe econômica identificou espaço fiscal durante a elaboração da prévia do relatório bimestral de receitas e despesas, que será divulgado em 24 de setembro. Segundo Dias, parte dos recursos virá de valores inicialmente previstos para o programa de redução da fila do INSS. O ministro afirmou que o remanejamento permite financiar o reajuste sem a necessidade de créditos extraordinários. "A equipe econômica alegava falta de espaço fiscal no primeiro semestre. Mas, esta semana, ao elaborar a prévia do relatório bimestral, descobriu que era possível localizar saldo do valor que foi previsto para zerar a fila do INSS, dentro da meta fiscal", afirmou Dias ao SBT News. O ministro disse ainda que a medida terá impacto de R$ 5,8 bilhões neste ano e que o governo pretende acomodar o custo no Orçamento de 2027. Impacto fiscal O governo estima que o reajuste terá impacto de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de cerca de R$ 22 bilhões em 2027. Para o próximo ano, será necessário alterar a proposta de Orçamento enviada ao Congresso no fim de agosto, que não previa a correção dos benefícios. O governo afirma que a atualização recompõe perdas inflacionárias e preserva o poder de compra dos beneficiários. O novo valor mínimo será de R$ 691, e o benefício médio chegará a R$ 777. A proximidade com a eleição, no entanto, colocou a medida no centro do debate político. O anúncio ocorre poucos dias depois de pesquisas mostrarem uma disputa mais acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro. Na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quinta-feira (17), Lula apareceu com 44,1% das intenções de voto no primeiro turno, contra 41,7% de Flávio. No segundo turno, os dois ficaram tecnicamente empatados: 46,8% para Lula e 47,2% para Flávio.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/eleicoes/lula-definiu-aumento-do-bolsa-familia-horas-antes-do-anuncio
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