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Lula prepara discurso na ONU sem citar Trump e STF

Na terça-feira (22), em Nova York, presidente brasileiro deve defender soberania, destacar combate ao crime organizado e abordar as eleições de outubro

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Hariane Bittencourt
Presidente Lula (PT) | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

Presidente Lula (PT) | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

Sem citar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nem a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve usar o discurso na Assembleia-Geral da ONU para defender a soberania brasileira, destacar medidas de combate ao crime organizado e afastar dúvidas sobre as eleições de outubro.

A decisão de não mencionar o STF parte da avaliação de que a crise é um assunto interno, que deve ser resolvido no Brasil. A exceção seria uma nova investida de outros países contra autoridades brasileiras até o dia do discurso.

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No ano passado, às vésperas da Assembleia-Geral, o ministro Alexandre de Moraes e pessoas ligadas a ele foram alvo de sanções americanas com base na Lei Magnitsky.

Como ocorre tradicionalmente, o Brasil será o primeiro país a discursar na próxima terça-feira (22), em Nova York, seguido pelos Estados Unidos. Será a décima vez que Lula sobe pessoalmente à tribuna das Nações Unidas. O discurso deve durar entre 15 e 20 minutos.

Antes da fala, Lula deve se reunir brevemente com o secretário-geral da ONU, António Guterres, que deixará o cargo no fim de dezembro.

Uma reunião bilateral com Trump não está descartada, mas é considerada improvável por interlocutores, diante da falta de tempo e de um novo assunto para tratar, já que os dois presidentes conversaram por telefone há menos de um mês. Um encontro rápido nos bastidores, como ocorreu no ano passado, é visto como mais provável.

No discurso, Lula deve abordar os principais temas da agenda internacional, com defesa da paz e do multilateralismo. Também devem aparecer questões como mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável e preservação dos direitos humanos. Segundo assessores, a orientação é transmitir os recados com a polidez necessária.

Eventuais referências a Argentina e Israel também estão em análise, no contexto pré-eleitoral. Os presidentes dos dois países declararam apoio, nos últimos meses, à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência. A equipe de Lula avalia como fazer essas referências sem "dar palco" desnecessário aos dois líderes.

A Venezuela também pode ser mencionada. A equipe presidencial avalia os prós e contras de abordar a situação do país, sem necessariamente citar Nicolás Maduro, que está preso nos Estados Unidos. Caso o tema entre no discurso, a tendência é tratar a questão sob o ponto de vista humanitário, da estabilidade regional e do fluxo migratório de venezuelanos para o Brasil.

Lula também deve fazer críticas à ONU, especialmente ao Conselho de Segurança. A mensagem será de que as Nações Unidas estão regredindo no cumprimento das atribuições que deveriam estar sob sua responsabilidade.

No ano passado, Lula discursou por 18 minutos. Ele viaja aos Estados Unidos na manhã de domingo (20). Na segunda-feira, deve receber o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, que pediu uma reunião. Na terça, retorna ao Brasil logo após o discurso.

Pelo menos 30 países solicitaram encontros bilaterais com o presidente, que ainda avalia quais serão possíveis. Segundo assessores, a intenção é manter a viagem curta, como sinal de respeito à campanha eleitoral em curso no Brasil.

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