Mundo

Trump sinaliza novo encontro entre Israel e Líbano sobre cessar-fogo

Presidente norte-americano disse estar "criando um pouco de espaço" para que os países possam conversar; delegações não confirmaram reunião

Imagem da noticia Trump sinaliza novo encontro entre Israel e Líbano sobre cessar-fogo
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Divulgação/White House

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que representantes do Líbano e de Israel se encontrarão nesta quinta-feira (16) para continuar as negociações de cessar-fogo. As delegações se reuniram no início da semana, em Washington, na primeira tentativa de alto nível desde 1993.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

“Tentando criar um pouco de espaço entre Israel e Líbano. Faz muito tempo desde que os dois líderes se falaram, cerca de 34 anos. Vai acontecer amanhã. Legal”, escreveu Trump nas redes sociais, na noite de quarta-feira (15).

Apesar do anúncio, a reunião ainda não foi confirmada pelos países. Mais cedo, a ministra da Ciência e Tecnologia de Israel, Galia Gamliel, disse à rádio local que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu pretende falar por telefone com o presidente libanês, Joseph Aoun, mas não comentou sobre a reunião de hoje. Um membro do governo libanês, por sua vez, disse à AFP que não está ciente de "qualquer contato com Israel".

O encontro de alto nível entre Israel e Líbano ocorreu na terça-feira (14), após o governo israelense exigir negociações diretas com o Líbano por se recusar a dialogar com o Hezbollah — grupo paramilitar, aliado do Irã, que atua dentro do país. O objetivo é acordar um cessar-fogo entre Tel Aviv e o Hezbollah, que voltaram a trocar hostilidades em decorrência da operação coordenada entre Israel e Estados Unidos em Teerã.

Um acordo entre as partes é um dos principais passos para destravar as negociações de paz entre Estados Unidos e Irã, que aceitaram um cessar-fogo de 14 dias na última semana. Isso porque o Irã acusa Israel de violar a trégua ao continuar atacando o Hezbollah no Líbano, país que, segundo o regime, foi incluído no acordo. Tel Aviv e Washington, por sua vez, negam que Beirute faça parte do cessar-fogo.

Apesar da retomada da diplomacia, um acordo de cessar-fogo entre os países deve levar tempo, já que o principal objetivo é desarmar o Hezbollah. Atualmente, o Líbano é liderado por um regime crítico ao grupo, mas que, na prática, não tem autoridade ou influência sobre os militantes.

“Todas as complexidades desse assunto não serão resolvidas nas próximas seis horas, mas podemos começar a criar uma estrutura para algo positivo e permanente”, disse o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que mediou a primeira reunião entre os países.

Hezbollah critica reunião

O chefe do Hezbollah, Naim Qassem, criticou a reunião entre Israel e Líbano, classificando o encontro como “inútil”. Afirmou, ainda, que o grupo continuará confrontando os ataques israelenses no Líbano.

O mesmo foi dito por Wafiq Safa, membro de alto escalão do conselho político do Hezbollah, que frisou que o grupo não cumprirá nenhum acordo firmado por Israel e Líbano. "Quanto aos resultados dessa negociação, não estamos interessados nem preocupados com eles", disse Safa à Associated Press. “Não estamos vinculados ao que eles concordam”, acrescentou.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

As hostilidades entre Irã e Estados Unidos ainda escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, pressionando a economia.

Últimas Notícias