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Israel diz que matou sobrinho de líder do Hezbollah no Líbano

Ali Yusuf Kharshi foi atingido por um bombardeio aéreo em Beirute, capital do país; grupo paramilitar ainda não se pronunciou

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Camila Stucaluc
09/04/2026, 10:22 • Atualizado em 09/04/2026, 10:22
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Exército israelense em operação no Líbano | Divulgação/Forças de Defesa de Israel

Exército israelense em operação no Líbano | Divulgação/Forças de Defesa de Israel

As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) afirmaram nesta quinta-feira (9) que mataram o secretário pessoal de Naim Qassem, chefe do grupo Hezbollah — aliado do Irã. Segundo os militares, Ali Yusuf Kharshi foi atingido por um bombardeio aéreo em Beirute, capital do Líbano.

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“Kharshi foi um associado próximo e conselheiro pessoal do secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem, e desempenhou um papel central na gestão de seu escritório e na garantia de sua segurança”, disseram as IDF.

Israel e Hezbollah voltaram a trocar hostilidades no início de março, encerrando o cessar-fogo firmado em novembro de 2024. Os ataques começaram após o grupo paramilitar, com sede no Líbano, lançar drones contra Tel Aviv, em retaliação à operação coordenada entre Israel e Estados Unidos contra Teerã.

O ataque que teria culminado na morte de Kharshi, ainda não confirmada pelo Hezbollah, ocorreu na quarta-feira (8), durante um bombardeio massivo contra o Líbano. Em Beirute, além do secretário, os ataques deixaram 92 mortos, além de mais de 700 feridos. Subúrbios no sul da cidade também foram atingidos, resultando em 61 óbitos.

Em nota, o Exército de Israel afirmou que foram lançados 100 ataques em 10 minutos. Essa foi a rodada de bombardeios mais intensa desde o início da ofensiva israelense no Líbano, em março, que já deixou mais de 1,5 mil mortos e 4,8 mil feridos, conforme dados do Ministério da Saúde do país.

Os ataques foram criticados pelo Irã, que acusou Israel de violar o cessar-fogo de duas semanas firmado com os Estados Unidos no início da semana. Nesta manhã, o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Saeed Khatibzadeh, afirmou que o Líbano está incluído na trégua, assim como dito pelo Paquistão, mediador do acordo. Tel Aviv e Washington, contudo, negam a inclusão do país.

"É um tipo de prática que o regime israelense sempre fez: aceitar cessar-fogo, depois ataque surpresa. Os Estados Unidos devem escolher se querem guerra ou paz. Eles não podem ter ambos ao mesmo tempo. Se o presidente [Donald] Trump está interessado na paz para todo o Oriente Médio, e como o Irã está comprometido com isso, pedimos a todos no Oriente Médio que cumpram esse acordo e este cessar-fogo”, disse.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

As hostilidades entre Irã e Estados Unidos ainda escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, pressionando a economia.

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