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Ataques israelenses na capital do Líbano deixam 2 mortos

Ofensiva contra grupo Hezbollah já resultou em mais de mil vítimas; governo libanês diz que trabalha para encerrar conflito

Imagem da noticia Ataques israelenses na capital do Líbano deixam 2 mortos
Israel intensifica ofensiva contra Hezbollah e ataca capital do Líbano | Reprodução/Reuters

As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) intensificaram a operação contra o grupo Hezbollah, no Líbano. Nesta terça-feira (24), mísseis atingiram o centro da capital do país, Beirute, matando ao menos duas pessoas, segundo a mídia local.

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Israel e Hezbollah voltaram a trocar hostilidades no início de março, encerrando o cessar-fogo firmado em novembro de 2024. Os ataques começaram após o grupo paramilitar lançar drones contra Tel Aviv, em retaliação à operação coordenada entre Israel e Estados Unidos contra o Irã.

Desde então, as tropas israelenses atuam sobretudo no sul do Líbano, onde o Hezbollah é dominante. Além dos ataques aéreos, os militares avançam por terra, a fim de “eliminar ameaças”. Nesta manhã, o Exército emitiu um novo alerta de evacuação na região, especificamente para a área de Burj al-Shemali.

“Os ataques aéreos continuam enquanto as Forças de Defesa de Israel operam com força significativa na área. Portanto, e por preocupação com sua segurança, reiteramos nosso apelo urgente para que evacuem suas casas imediatamente. Qualquer pessoa próxima a elementos do Hezbollah, suas instalações ou seus meios de combate está colocando sua vida em risco”, disse.

Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, 1.039 pessoas já morreram e outras 2.876 ficaram feridas desde o início da ofensiva israelense. O primeiro-ministro Nawaf Salam lamentou os registros, dizendo que “o Líbano entrou em uma guerra que não queria”.

"Dirijo-me a vocês hoje, com Beirute sob bombardeio assim como seus subúrbios, e nosso Sul e Bekaa. Não podemos, de forma alguma, aceitar que o Líbano volte a ser uma arena aberta para as guerras dos outros. Estamos trabalhando 24 horas por dia para acabar com esta guerra e permitir que vocês retornem para suas casas o mais rápido possível, de forma segura e digna”, disse Salam.

O premiê acrescentou que, para tentar conter a situação, proibiu a atuação do Hezbollah no Líbano, exigindo que os militantes do grupo entreguem suas armas ao governo. Disse, também, que o presidente Joseph Aoun “lançou iniciativas de negociações”.

“Ataques continuarão”

Em pronunciamento na segunda-feira (23), o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que conversou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a operação coordenada contra o Irã. Segundo ele, o republicano acredita que os avanços militares possam abrir caminho para um acordo que garanta os interesses de Israel.

Enquanto um acordo não é alcançado, o premiê prometeu continuar com os ataques tanto contra o Irã como contra o Hezbollah no Líbano. “Estamos esmagando o programa de mísseis e o programa nuclear, e continuando a infligir golpes severos ao Hezbollah. Há poucos dias, eliminamos mais dois cientistas nucleares. Salvaguardaremos nossos interesses vitais em qualquer cenário”, disse.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.

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