Hantavírus: sobe para 7 o número de casos confirmados em passageiros de cruzeiro, diz OMS
Entidade afirma que vírus não se espalha facilmente e descarta cenário de pandemia como a da covid-19


Emanuelle Menezes
A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou nesta segunda-feira (11) sete casos de hantavírus entre passageiros do navio de cruzeiro MV Hondius. Ao todo, nove casos foram relatados até o momento, incluindo três mortes.
Segundo a OMS, sete infecções já foram confirmadas como sendo causadas pelo vírus Andes – variante do hantavírus encontrada principalmente na Argentina e no Chile e considerada a única capaz de apresentar transmissão limitada entre humanos.
O caso confirmado mais recente foi registrado na França e envolve uma passageira do cruzeiro.
Apesar da preocupação internacional após o episódio, a OMS reforçou que o cenário está longe de representar uma nova pandemia como a da covid-19.
"Este não é o início de uma nova pandemia como a que tivemos com a Covid-19", informou a organização em resposta enviada por e-mail ao SBT News.
OMS alerta para possibilidade de novos casos
A entidade afirma que ainda podem surgir novos diagnósticos devido ao período de incubação da doença e ao monitoramento contínuo de passageiros e contatos próximos.
"Considerando a exposição a que algumas pessoas foram submetidas e o tempo entre a exposição e o desenvolvimento dos sintomas, podemos esperar que haja mais casos e mais indícios de casos potenciais", afirmou a OMS.
Segundo a organização, o risco maior está concentrado em pessoas que tiveram contato próximo com os infectados.

O que é o hantavírus?
O hantavírus é um vírus transmitido principalmente por roedores silvestres e que pode causar uma doença chamada hantavirose. No Brasil, a forma mais grave e mais conhecida é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), que afeta principalmente pulmões e coração.
Segundo o médico infectologista Marcos Boulos, professor sênior do Departamento de Doenças Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), a infecção costuma estar ligada a ambientes rurais com presença de roedores.
"A hantavirose é uma infecção causada pelo hantavírus, que é transmitido por fezes de roedores inaladas por pessoas que têm contato com locais com muitos roedores, principalmente em regiões rurais e silos de armazenamento", explica.
No caso do vírus Andes, porém, há registros raros de transmissão entre pessoas, especialmente em situações de contato próximo e prolongado.
"O que sabemos sobre o hantavírus é que ele não se espalha facilmente. Geralmente, a transmissão ocorre de roedores para humanos", destacou a OMS.
A doença pode variar de quadros leves, semelhantes a uma gripe, até casos graves com insuficiência respiratória.
Quais são os sintomas?
Os sintomas iniciais podem ser confundidos com uma gripe comum. "A forma mais grave é a respiratória, que leva a comprometimento pulmonar. Os sintomas mais notórios são falta de ar que vai se intensificando, febre, fraqueza e dor de cabeça", afirma Boulos.
Outros sintomas graves incluem:
- falta de ar intensa;
- tosse seca;
- respiração acelerada;
- queda de pressão arterial.
O período de incubação pode variar de uma a cinco semanas após a exposição ao vírus.
Existe hantavírus no Brasil?
Sim. O Brasil registra surtos esporádicos de hantavirose, principalmente em áreas rurais. O primeiro caso de morte no país em 2026 foi confirmado neste domingo (10) e ocorreu no estado de Minas Gerais. A vítima era um homem de 46 anos, morador do município de Carmo do Paranaíba, que tinha histórico de contato com roedores silvestres em uma área de lavoura.
A infecção foi confirmada pela Fundação Ezequiel Dias (Funed). A morte ocorreu em fevereiro.
Como prevenir o hantavírus?
As principais medidas de prevenção envolvem evitar contato com roedores e ambientes contaminados. As recomendações incluem:
- armazenar alimentos corretamente;
- evitar acúmulo de lixo e entulho;
- vedar frestas e buracos em casas e galpões;
- usar luvas e máscaras na limpeza de locais fechados;
- evitar varrer ambientes com poeira contaminada, priorizando limpeza úmida.
Em áreas rurais, o uso de equipamentos de proteção é considerado essencial.








