Economia

Como aumentar as chances de sobrevivência da sua empresa?

Novo estudo aponta maior taxa de sobrevivência entre negócios que receberam consultoria e reforça a importância da capacitação

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João Kepler
Consultoria e capacitação podem ajudar pequenos negócios | Reprodução/Magnific

Consultoria e capacitação podem ajudar pequenos negócios | Reprodução/Magnific

Um novo estudo do Sebrae trouxe um dado que deveria chamar a atenção de qualquer pequeno empresário. O levantamento comparou dois grupos de pequenos negócios e acompanhou o que aconteceu com eles ao longo de cinco anos. Entre aqueles que receberam consultoria do Sebrae, 77% permaneciam ativos e 23% haviam encerrado suas atividades. Entre os que não receberam esse atendimento, apenas 55% continuavam funcionando, enquanto 45% haviam fechado.

Entre os MEIs, a diferença foi ainda maior. Quase 65% dos que receberam consultoria permaneciam ativos depois de cinco anos, contra apenas 33,7% daqueles que não tiveram esse acompanhamento. Ou seja, nesse segundo grupo, aproximadamente dois em cada três MEIs haviam encerrado suas atividades no período.

É preciso ter cuidado para não transformar esses números numa conclusão simplista de que basta fazer uma consultoria para uma empresa sobreviver. Existem muitas variáveis envolvidas na vida de um negócio. Mas o estudo reforça algo em que acredito há muito tempo e que ajuda a responder à pergunta do título: conhecimento é uma das principais ferramentas para aumentar a qualidade das decisões e reduzir o custo dos erros de quem empreende.

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Existe uma imagem romantizada do empreendedor que começa sozinho, aprende errando, resolve tudo e constrói uma empresa na base da persistência. O problema é que aprender somente com os próprios erros pode custar muito caro quando esses erros envolvem dinheiro, funcionários, impostos, estoque, dívidas, clientes e fornecedores.

Quem abre uma empresa normalmente conhece alguma coisa muito bem. Sabe cozinhar, vender, programar, fabricar, construir ou prestar determinado serviço. Mas saber fazer aquilo que a empresa vende é muito diferente de saber administrar uma empresa que vende aquilo. De repente, aquela pessoa precisa entender de fluxo de caixa, margem, impostos, pessoas, marketing, vendas, estoque, processos e capital de giro.

Talvez esteja aí uma das maiores fragilidades do pequeno empreendedor brasileiro. O CNPJ pode crescer mais rápido do que a consciência empresarial de quem está por trás dele.

É por isso que considero o conhecimento tão importante. Uma empresa que aprende a controlar margem antes de perder dinheiro, projetar o fluxo de caixa antes de assumir uma dívida, acompanhar estoque antes de precisar de capital de giro e medir a concentração de clientes antes que um deles atrase está usando conhecimento para antecipar problemas, e não apenas para tentar resolvê-los depois.

O Sebrae é uma das portas para esse conhecimento, mas evidentemente não é a única. Existem entidades empresariais e do Sistema do Comércio, como a CNC e o Senac, inclusive com iniciativas como o curso de Gestão de Negócios do Performe Mais, além de associações comerciais, sindicatos empresariais, universidades e outras instituições que oferecem capacitação aos empreendedores. No setor privado, existem centenas de treinamentos, mentorias e consultorias especializadas em gestão, finanças, marketing, vendas, pessoas, processos e praticamente todas as áreas de uma empresa.

Nunca tivemos tanto conhecimento disponível e acessível. Um exemplo é o próprio programa Pivotando, aqui no SBT News. Todas as semanas recebo empresários, executivos e especialistas e procuro extrair dessas conversas experiências, erros, acertos e aprendizados que possam ser transformados em lições práticas para quem administra uma pequena ou média empresa. Conhecimento não está apenas nos livros ou nas salas de aula. Também está na experiência de quem já enfrentou problemas parecidos com os seus.

E agora temos também a Inteligência Artificial, que reduziu ainda mais a distância entre uma dúvida e uma possível resposta. Em poucos segundos, um pequeno empresário consegue estudar um indicador, entender um conceito financeiro, comparar alternativas, organizar informações e até formular perguntas melhores para conversar com seu contador, consultor ou especialista.

O desafio agora é transformar todo esse conhecimento disponível em decisões melhores dentro da empresa.

Muitos empresários procuram ajuda somente quando o caixa acabou, a dívida cresceu, as vendas caíram, o estoque encalhou ou a margem desapareceu. Só que uma das funções mais valiosas do conhecimento é justamente evitar que determinados problemas cheguem a esse estágio.

Isso também não significa terceirizar a decisão. Consultor erra. Mentor erra. Especialista erra. Inteligência Artificial erra. A responsabilidade continua sendo do empresário. Conhecimento serve para aumentar a qualidade das informações, das perguntas e das alternativas disponíveis antes da decisão, não para transferir a responsabilidade por ela.

Tenho insistido muito em uma palavra quando falo de empresas: discernimento. Informação está cada vez mais disponível. O difícil é compreender qual informação faz sentido para aquela empresa, naquele momento e diante daquela circunstância.

Por isso, o dado do Sebrae me provoca por uma razão maior do que a consultoria em si. Estamos ficando muito bons em incentivar pessoas a abrir empresas. Precisamos ficar igualmente bons em ajudá-las a aprender a ser empresárias.

Conhecimento não elimina o risco de empreender. Mas pode evitar que você pague para aprender aquilo que alguém já aprendeu antes de você.

Então, cidadão, talvez uma das maiores vantagens competitivas de um pequeno empresário seja justamente esta: aprender mais rápido do que os problemas aparecem.

Pense nisso!

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