Inadimplência empresarial bate recorde e chega a 9,3 milhões
País acrescentou cerca de 100 mil empresas à lista de inadimplentes em apenas um mês; dívidas avançaram R$ 5,8 bilhões

Inadimplência empresarial chega a 9,3 milhões de CNPJs no Brasil, segundo levantamento da Serasa Experian | Reprodução
A inadimplência empresarial voltou a bater recorde no Brasil. Em agosto de 2026, 9,3 milhões de empresas estavam com contas em atraso, segundo o novo levantamento da Serasa Experian. O recorde anterior havia sido registrado em julho, quando o país contabilizava 9,2 milhões de CNPJs inadimplentes. Em apenas um mês, aproximadamente 100 mil empresas passaram a integrar a lista.
O aumento foi ainda maior no valor das pendências. As dívidas subiram de R$ 238,6 bilhões em julho para R$ 244,4 bilhões em agosto, acréscimo de R$ 5,8 bilhões, ou cerca de 2,4%. A quantidade de compromissos negativados também avançou, passando de 67,2 milhões para 68,2 milhões. A dívida média por empresa aumentou de R$ 25.983,88 para R$ 26.355,13. Na comparação com agosto de 2025, o número de empresas inadimplentes cresceu 14,3%.
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As micro e pequenas empresas representam a maior parte dos negócios negativados. O grupo passou de 8,7 milhões de CNPJs inadimplentes em julho para 8,8 milhões em agosto. Com isso, aproximadamente 95% das empresas no vermelho são de pequeno porte. Juntas, elas acumulavam 61,4 milhões de dívidas, que somavam cerca de R$ 211 bilhões. Em média, cada micro ou pequena empresa possuía sete contas negativadas, com dívida acumulada de aproximadamente R$ 23,9 mil por CNPJ.
O resultado mostra que o novo recorde não representa um episódio isolado. Além do aumento do número de empresas afetadas, houve crescimento da dívida média e da quantidade de compromissos vencidos. O setor de serviços concentra 56% dos CNPJs inadimplentes, enquanto o comércio responde por 32%. A indústria representa 8% do total e o setor primário, aproximadamente 0,9%.
Serviços e comércio reúnem grande parte das pequenas e médias empresas brasileiras, mais sensíveis aos juros elevados, ao encarecimento do capital de giro e às oscilações no consumo.
Mesmo com os cortes recentes na taxa básica de juros, o custo do crédito continua alto. Ao mesmo tempo, a desaceleração da atividade econômica limita o crescimento das receitas e dificulta a reorganização das dívidas.
A inadimplência empresarial não afeta somente a empresa que deixa de pagar uma obrigação. Quando um pequeno negócio atrasa fornecedores, aluguel, financiamentos, impostos e serviços básicos, o problema pode se espalhar por toda a cadeia produtiva. Esse efeito é especialmente relevante entre as PMEs, que normalmente possuem menos reservas financeiras e dependem do recebimento pontual dos clientes para manter salários, tributos e despesas operacionais em dia.
A origem das pendências ajuda a dimensionar o problema. Bancos e cartões representam apenas uma parte das dívidas. A maior parcela está relacionada a fornecedores, serviços, cooperativas, telefonia e contas básicas da própria operação. O aumento da inadimplência também dificulta a contratação de novos empréstimos, pois empresas negativadas enfrentam maior resistência das instituições financeiras, taxas mais elevadas e exigências adicionais de garantias.
O recorde reforça a importância de acompanhar o fluxo de caixa, e não apenas o faturamento. Uma empresa pode registrar aumento nas vendas e, ainda assim, enfrentar dificuldades para pagar suas contas quando vende a prazo, mantém estoque elevado ou recebe depois do vencimento de suas próprias obrigações. Entre as medidas que podem reduzir o risco estão o controle frequente dos recebimentos, a negociação antecipada com credores, a revisão de custos e prazos e a manutenção de uma reserva mínima de liquidez.
A antecipação de recebíveis pode ajudar em situações pontuais, mas exige cautela. Quando utilizada continuamente, essa operação reduz as margens e pode esconder um desequilíbrio permanente entre receitas e despesas. Da mesma forma, uma renegociação eficiente não deve apenas alongar a dívida. As novas parcelas precisam caber no fluxo de caixa sem comprometer as despesas essenciais à continuidade do negócio.
Antes de contratar um novo empréstimo, o empresário precisa identificar se o recurso será usado para resolver uma necessidade temporária ou para cobrir um déficit recorrente. No segundo caso, assumir uma nova dívida pode apenas adiar o problema e aumentar o custo financeiro.
O avanço da inadimplência mostra a necessidade de mecanismos de renegociação viáveis, orientação financeira e linhas de capital de giro compatíveis com a realidade dos pequenos negócios. Mais do que ampliar a oferta de crédito, o desafio é permitir que as empresas reorganizem seus passivos sem interromper a operação, reduzir empregos ou comprometer sua capacidade futura de investimento.
Diante de todo esse cenário, o empresário precisa olhar além do aumento das vendas. Vender mais nem sempre significa gerar caixa ou melhorar o resultado, especialmente quando há estoque parado, margens reduzidas, prazos longos de recebimento e despesas sem controle. A prioridade deve ser ajustar as compras à demanda real, acelerar o giro dos produtos, acompanhar diariamente as entradas e saídas, eliminar custos que não geram valor e renegociar contratos e prazos com fornecedores. Também é fundamental otimizar processos, reduzir desperdícios e utilizar tecnologia para elevar a produtividade. Antes de buscar mais faturamento, a empresa precisa garantir que cada venda contribua efetivamente para a margem, para a liquidez e para a sustentabilidade do negócio.
Pense nisso!

























