Economia

Sua empresa usa crédito para crescer ou sobreviver?

BC mostra desaceleração em modalidades de crédito empresarial; mais importante do que saber quanto uma empresa deve é entender para que ela usa o dinheiro

Avatar de João Kepler
João Kepler
Crédito pode financiar crescimento ou cobrir problemas de caixa | Reprodução/Magnific

Crédito pode financiar crescimento ou cobrir problemas de caixa | Reprodução/Magnific

Um sinal importante apareceu nos dados de crédito e merece a atenção dos empresários. O ritmo de crescimento do crédito para empresas vem desacelerando, embora o comportamento seja diferente entre modalidades, prazos e fontes de recursos. O próprio Banco Central projeta desaceleração do crédito pelo segundo ano consecutivo.

Por trás desses números existe uma discussão muito mais importante para quem administra uma empresa.

🤳 Notícias em primeira mão: baixe nosso aplicativo gratuito e leve o jornalismo do SBT News com você, onde estiver! Clique aqui.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.

Siga no Google Discover

Nem toda dívida é igual

Uma empresa pode tomar R$ 500 mil emprestados para comprar uma máquina que aumenta sua capacidade de produção, reduz custos e melhora a margem. Outra pode tomar os mesmos R$ 500 mil para pagar salários, impostos e fornecedores porque o caixa acabou.

As duas empresas devem R$ 500 mil. Mas a qualidade dessas dívidas é completamente diferente.

No primeiro caso, o crédito está financiando um ativo ou uma expansão capaz de gerar resultado no futuro. Se a conta foi bem feita, parte desse resultado adicional ajudará a pagar a própria dívida.

No segundo, o dinheiro pode estar simplesmente financiando um problema que a empresa ainda não resolveu.

Isso não significa que tomar crédito para capital de giro seja necessariamente ruim. Existem negócios saudáveis que precisam financiar estoque, produção, sazonalidade ou o intervalo entre pagar fornecedores e receber dos clientes. O problema começa quando a empresa precisa recorrer ao banco repetidamente apenas para fechar o caixa do mês.

Se todo mês falta dinheiro para pagar folha, impostos ou fornecedores, o crédito pode deixar de ser capital de giro e começar a funcionar como uma espécie de prorrogação do problema.

A empresa compra tempo e paga juros por ele

E tempo comprado com juros é caro.

Por isso, eu faria um exercício muito simples dentro da empresa. Pegaria todas as dívidas existentes e identificaria exatamente o que cada uma financiou.

Aquela dívida comprou uma máquina, aumentou estoque para atender uma demanda real, abriu uma nova unidade, financiou uma aquisição ou ajudou a aumentar produtividade? Existe um ativo, uma receita ou uma economia futura associada àquele dinheiro?

Ou o recurso simplesmente entrou na conta, pagou despesas que estavam vencendo e desapareceu?

Essa diferença diz muito sobre a saúde financeira de uma empresa.

Também é importante olhar para a frequência. Recorrer pontualmente ao crédito para atravessar um descasamento de caixa é uma coisa. Precisar de dinheiro novo todos os meses para pagar despesas antigas é outra situação. Quando isso acontece, pode existir um problema de margem, preço, estoque, prazo, inadimplência, despesas ou até do próprio modelo de negócio.

Nessa situação, contratar uma nova dívida pode aliviar o caixa no curto prazo, mas também pode esconder o problema por mais alguns meses.

É como colocar água em um balde furado. Durante algum tempo parece que o nível está subindo. Só que você continua precisando colocar cada vez mais água.

Os dados do Banco Central não permitem afirmar que todas as empresas estejam trocando financiamento de investimento por crédito emergencial. Existem linhas direcionadas, financiamentos de longo prazo e comportamentos diferentes entre setores e empresas. Mas o cenário é suficiente para provocar uma revisão dentro de casa.

Cidadão, olhe para as dívidas da sua empresa e descubra exatamente o que cada uma está financiando.

Crédito pode acelerar crescimento. Mas também pode financiar um problema que a empresa ainda não resolveu.

A dívida aparece no balanço. O motivo que levou você a contrair essa dívida nem sempre aparece.

E é justamente nele que pode estar o problema.

Pense nisso!

Mais da Nova Economia

SBT News

Últimas notícias de Economia