O Brasil chegou a 26,1 milhões de trabalhadores por conta própria. Desse total, 7,1 milhões possuem CNPJ. Isso significa que 27,1% dos trabalhadores por conta própria já estão formalizados, o maior percentual desde o início da série histórica do IBGE. Em 2012, eram apenas 15%.
É um avanço importante.
Ter um CNPJ permite emitir nota fiscal, abrir uma conta empresarial, acessar produtos financeiros destinados às empresas, negociar com clientes maiores e separar melhor a atividade profissional da vida pessoal. Para milhões de brasileiros, formalizar significa dar o primeiro passo para transformar trabalho em negócio.
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E esse movimento continua acelerado.
Entre janeiro e agosto deste ano, o Brasil registrou a abertura de 3,93 milhões de pequenos negócios, crescimento de 14,3% em relação ao mesmo período de 2025. Mais de 77% dessas novas empresas são MEIs. Na prática, foram mais de 3 milhões de novos microempreendedores individuais em apenas oito meses.
São números impressionantes. Mas eles também me provocam uma reflexão.
Abrir um CNPJ ficou relativamente simples. Construir uma empresa continua difícil
Existe uma diferença enorme entre trabalhar por conta própria, ter um negócio e construir uma empresa.
Quando uma pessoa começa a prestar um serviço ou vender um produto por conta própria, normalmente ela é o próprio negócio. Ela vende, atende, entrega, cobra, compra e resolve os problemas. Se ela parar, boa parte da operação também para.
O CNPJ pode formalizar essa atividade, mas não transforma automaticamente aquela pessoa em empresária.
Construir uma empresa exige outro conjunto de habilidades. É preciso encontrar clientes de maneira previsível, entender margem, controlar caixa, organizar processos, contratar e desenvolver pessoas, aumentar produtividade e criar uma operação que consiga continuar funcionando sem depender exclusivamente do esforço do fundador.
Esse é um ponto que considero fundamental para o futuro do empreendedorismo brasileiro.
Formalização não é o fim da jornada. É o começo
Durante muitos anos, concentramos esforços em facilitar a abertura de empresas. O MEI foi uma das grandes ferramentas desse processo e ajudou milhões de brasileiros a saírem da informalidade. Os números mostram que isso funcionou.
Agora precisamos avançar para uma segunda etapa.
Precisamos ajudar essas pessoas a aprender gestão, finanças, vendas, marketing, liderança, processos e estratégia. Porque alguém pode ser excelente naquilo que faz e ainda assim não saber administrar uma empresa que vende aquilo que faz.
Um ótimo eletricista não necessariamente sabe administrar uma empresa de serviços elétricos. Uma excelente confeiteira pode não dominar formação de preço, fluxo de caixa ou gestão de estoque. Um bom programador pode abrir uma empresa de tecnologia sem saber vender, contratar ou liderar uma equipe.
O CNPJ pode crescer mais rápido do que a consciência empresarial de quem está por trás dele
É justamente aí que conhecimento passa a fazer diferença.
O Brasil precisa continuar facilitando a formalização, mas também precisa criar condições para que esses novos empreendedores avancem. Sebrae, entidades empresariais, associações, universidades, empresas privadas, programas de capacitação e até a Inteligência Artificial podem ajudar a reduzir essa distância entre saber executar uma atividade e saber administrar um negócio.
Existe ainda outro dado que merece atenção. Apesar do recorde, apenas 27,1% dos trabalhadores por conta própria possuem CNPJ. Isso significa que quase três em cada quatro ainda trabalham sem essa formalização. Portanto, ainda existe muito espaço para avançar nessa primeira etapa.
Mas o sucesso do empreendedorismo brasileiro não deveria ser medido apenas pela quantidade de CNPJs que conseguimos abrir.
Precisamos acompanhar quantos continuam funcionando depois de alguns anos, quantos aumentam faturamento, melhoram margem, contratam pessoas, investem, geram lucro e conseguem construir patrimônio.
Porque abrir uma empresa é um evento.
Construir uma empresa é um processo
Cidadão, estamos ficando muito bons em incentivar brasileiros a empreender. Agora precisamos ficar igualmente bons em ajudá-los a aprender a ser empresários.
O Brasil não precisa apenas de mais CNPJs. Precisa de mais empresas capazes de sobreviver, crescer e gerar patrimônio.
Pense nisso!

























