Toffoli virou relator do Master após Vorcaro pedir para caso ficar com Nunes Marques
Fachin não viu relação entre Master e Operação Overclean e decidiu sortear relatoria, que caiu para Toffoli

O ministro Dias Toffoli assumiu a relatoria das investigações sobre o Banco Master em um revés à defesa do banqueiro Daniel Vorcaro.
Logo após Vorcaro ser preso pela Polícia Federal, a defesa do banqueiro enviou um pedido para que o caso fosse levado ao Supremo.
O pedido tentava direcionar a relatoria do caso ao ministro Nunes Marques. O argumento era tortuoso: dizia que um envelope encontrado pela PF com menção a negociações imobiliárias entre Vorcaro e o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA) tinha possível relação com a Operação Overclean, que investigava fraudes na Bahia.
Sob essa perspectiva, o caso deveria ser analisado pelo mesmo relator - Kassio Nunes Marques.
O caso chegou à mesa do ministro Edson Fachin, recém-chegado à Presidência do Supremo. Ele analisou os argumentos da defesa de Vorcaro e entendeu não haver motivos para direcionar a investigação. Mandou, então, sortear um novo relator.
O sistema eletrônico do Supremo acabou sorteando Toffoli, e o ministro assumiu o caso no dia 28 de novembro de 2025.
Decisões controversas
No mesmo dia em que era sorteado relator do processo, Dias Toffoli pegava carona no jatinho do empresário Luiz Pastore rumo a Lima, no Peru, para assistir à final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras.
No mesmo avião particular estava o advogado Augusto de Arruda Botelho, defensor de Luiz Antonio Bull, ex-diretor do Banco Master investigado no caso.
Desde então, a atuação de Toffoli vem sendo questionada por integrantes da Polícia Federal, do Banco Central e por juristas.
Toffoli decidiu em 15 de dezembro reabrir as investigações do Banco Master. Dias depois, determinou -à revelia da PF - que Daniel Vorcaro deveria ser acareado com o diretor do Banco Central responsável pela liquidação do Master.
Depois, o ministro determinou que todo o material apreendido pela Polícia Federal em operação do caso Master ficasse guardado na sede do STF.
Toffoli acabou cedendo às pressões e autorizou que o material ficasse acautelado na PGR. O ministro, porém, escolheu quatro peritos da Polícia Federal que poderiam ter acesso ao material, sem consultar antes a direção da PF.
Em janeiro foi revelada a relação empresarial entre os irmãos de Toffoli e fundos investigados na fraude do Master, donos do resort Tayaya.
O conjunto de decisões atípicas de Toffoli no caso Master fez políticos pedirem à PGR a retirada do inquérito do gabinete do ministro do Supremo.
O procurador-geral Paulo Gonet foi contrário à suspeição. Toffoli, em nota, defendeu a normalidade da condução do inquérito.
Na segunda-feira (9), a Polícia Federal enviou novos documentos sobre o caso Master ao Supremo e fez novo pedido pela suspeição de Toffoli.
O material apresenta conversas entre o ministro do Supremo e o banqueiro Daniel Vorcaro. As mensagens foram encontradas no celular do investigado.
O presidente do STF, Edson Fachin, será o responsável por decidir se o caso segue com Toffoli.





















































