Vorcaro cita Ciro Nogueira apenas como amigo em proposta de delação e irrita investigação
PF aponta vantagens indevidas de banqueiro a senador, incluindo mesada de R$ 300 mil e viagens de luxo

A relação de Daniel Vorcaro com o senador Ciro Nogueira, alvo da operação Compliance Zero desta quinta-feira (7), foi minimizada pelo banqueiro a um contato pessoal, de amizade, sem associação com crime, no material entregue pela defesa à Procuradoria Geral da República e Polícia Federal nesta terça (5).
A inclusão de Ciro Nogueira entre os alvos de buscas e apreensões ilustra, no entanto, que PGR e PF possuem mais informações que a delação de Vorcaro apresenta.
O material da delação ainda está sob análise. Mas com base no que a investigação já possuía, em parte do que foi extraído de celulares de Vorcaro, foi possível partir para novos desdobramentos.
Mensagens também foram cruzadas com movimentação bancárias e dados do Coaf.
A versão contada pelo banqueiro teria incomodado integrantes da investigação, de acordo com relatos feitos ao SBT News.
Vorcaro nega integrar organização criminosa e, ao descrever relação com políticos como Ciro, se limitaria a falar de amizade e contatos comerciais dentro da legalidade.
Um aliado de Vorcaro argumenta que o banqueiro tem explicação para todas as acusações que, segundo ele, indevidamente, estariam sendo imputadas ao Master. Mas essas explicações não teriam sido suficientes para a investigação.
A versão aquém das informações que a investigação já chegou motivou pedidos tanto da PGR quanto da PF para que Vorcaro refizesse a proposta de delação premiada inicialmente apresentada.
A interlocutores, o ministro relator do caso, André Mendonça, tem dito que colaboração premiada é ato de defesa e que deve ser séria.
Outro lado
Em nota, a defesa de Ciro nogueira nega qualquer ato ilícito e diz que o senador está à disposição da Justiça para esclarecimentos.
"A defesa do Senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar. Reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos.
Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas."
















































