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Estreito de Ormuz segue com baixo tráfego em meio a negociações de paz

Mesmo com trégua anunciada por Trump, bloqueio iraniano mantém impacto no fornecimento global de energia

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Navio de carga no Golfo, perto do Estreito de Ormuz | Reuters/Stringer

O tráfego de navios no Estreito de Ormuz segue reduzido neste sábado (11), segundo dados de monitoramento marítimo, mesmo após o anúncio de um cessar-fogo temporário entre Estados Unidos e Irã. A tensão na região continua afetando o abastecimento global de energia..

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Mesmo após o cessar-fogo, o Irã mantém restrições na região, o que explica o baixo fluxo de embarcações registrado nos últimos dias.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo de duas semanas na guerra, que já dura cerca de seis semanas. A trégua suspendeu ataques aéreos dos EUA e de Israel contra o Irã, mas não resolveu outros pontos críticos do conflito.

Negociações de paz e exigências do Irã

Estados Unidos e Irã devem iniciar neste sábado (11) negociações de paz em Islamabad, capital do Paquistão, em meio a um cenário de trégua temporária no Oriente Médio. A delegação iraniana já chegou ao país para participar das conversas.

A delegação iraniana é liderada por Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento, e inclui o chanceler Abbas Araghchi.

Pelo lado americano, participam o vice-presidente JD Vance, além do enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner.

Antes do início efetivo das negociações, o Irã exige o cumprimento do cessar-fogo no Líbano e desbloqueio de ativos iranianos no exterior. Segundo Ghalibaf, essas medidas são pré-requisitos para o avanço das conversas.

As negociações acontecem após mais de um mês de confrontos envolvendo ataques militares dos EUA e de Israel contra o Irã.

De acordo com a imprensa local, este pode ser o encontro diplomático de mais alto nível entre Estados Unidos e Irã desde 1979, marco de ruptura nas relações entre os dois países.

O avanço ou fracasso do diálogo pode influenciar diretamente a estabilidade do Oriente Médio e o cenário global de segurança e energia.

Entenda

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

As hostilidades entre Irã e Estados Unidos ainda escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, pressionando a economia.

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