Jovens querem trabalhar 36h, diz Lula após 5x2 avançar
Em declaração após reunião com o Suriname, presidente comemorou aprovação da PEC do fim da 6X1 na Câmara: “conquista extraordinária da sociedade”


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quarta-feira (27) | Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) celebrou a aprovação da proposta que acaba com a escala 6x1 na noite de quarta-feira (27) na Câmara dos Deputados em declaração conjunta nesta quinta (28) com a presidente do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons, no Palácio do Planalto.
Lula disse que o avanço do projeto é uma “conquista extraordinária da sociedade brasileira” e que dará aos trabalhadores “mais dignidade e tempo com a família". O texto ainda será analisado pelo Senado, que passou a ser cortejado por líderes empresariais em busca ou de alterações no período de transição ou, no limite, de contrapartidas fiscais.
A PEC reduz de forma escalada a jornada de trabalho de 44h para 40h ao longo de 14 meses, além de garantir o direito a duas folgas por semana a trabalhadores com carteira assinada. Lula, porém, brincou ao dizer que a “meninada” quer uma redução ainda mais acentuada, para 36h.
“Aqui é importante lembrar que, desde 1943, quando foi criada a jornada de trabalho de 48h, a gente só tinha conseguido mudar a jornada em 1988, na Constituinte, para 44h, e agora conseguimos para 40h. E a meninada mais nova agora só quer trabalhar 36h. Quem sabe um dia a gente consiga fazer com que as pessoas trabalhem o suficiente para sobreviver, o suficiente para enriquecer a economia brasileira, mas o suficiente para que eles possam ser felizes no mundo do trabalho”, disse.
Suriname
Lula passou parte da manhã e o início da tarde com a delegação surinamense. Os países formalizaram uma série de acordos e memorandos de entendimento em áreas com defesa, cibersegurança, saúde, conexão marítima, gestão de riscos, cooperação ambiental e combate ao tráfico humano.
Simmons deve ainda visitar na sexta (29) a Embrapa, com foco em absorver capacidades em agricultura familiar, sistemas agroflorestais sustentáveis e segurança alimentar, além de unidades habitacionais do programa MInha Casa, Minha Vida e do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS).
O Suriname tem cerca de 600 mil habitantes e compartilha 593 km de fronteiras com o Brasil ao longo do Amazonas. O país de colonização holandesa tem quase 90% do território coberto por florestas tropicais e não há ligação viária direta com o Brasil.

Recentemente, a economia surinamense tem vivido um boom ancorado na expectativa de extrair as reservas de petróleo encontradas em sua costa marítima, em área próxima à que a Petrobras prospecta na Margem Equatorial.
A estimativa é que haja 11 bilhões de barris de petróleo bruto só em um dos blocos na região. Lula, inclusive, aventou a possibilidade de que a estatal possa cooperar nessa exploração com o Suriname.
O comércio brasileiros com o país é diminuto e marcou só US$ 55 milhões em 2025 esmagadoramente de exportações de alimentos e maquinário. No primeiro quadrimestre do ano, porém, o comércio bilateral cresceu 110%, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento. “O Suriname é a porta de entrada do Brasil para os países caribenhos”, disse Lula.
“A reunião de hoje reafirmou a forte amizade entre Suriname e Brasil e enfatizou a nossa determinação compartilhada de elevar esse relacionamento para o nível mais alto de implementação, com foco em entregar resultados tangíveis”, celebrou Simmons.















