"Não acredito que o Brasil eleja Flávio", diz José Dirceu
Pré-candidato a deputado federal por SP disse que Flávio Bolsonaro erra ao buscar apoio de Trump




O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu afirmou nesta quinta-feira (28) que não acredita na vitória de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial deste ano. Pré-candidato a deputado federal por São Paulo, Dirceu criticou a aproximação do senador com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e disse que o Brasil “quer ficar fora” dos conflitos internacionais.
“Eu não acredito que o país eleja o Flávio Bolsonaro presidente, principalmente depois que ele vai ao Estados Unidos se encontrar com Donald Trump, pedindo abertamente uma intervenção em assuntos internos brasileiros”, declarou em entrevista ao Poder Expresso, do SBT News.
Dirceu afirmou que o Brasil precisa discutir “o futuro do país” e defendeu que o governo Lula apresente propostas voltadas ao desenvolvimento tecnológico, à reindustrialização e ao aumento de investimentos para a juventude.
Ao comentar a disputa política para os próximos anos, Dirceu disse que não vê apoio suficiente para um projeto ligado ao bolsonarismo nas metrópoles brasileiras. “Eu não acredito que nas grandes cidades das regiões metropolitanas brasileiras, as classes médias, que são liberais até do ponto de vista econômico, vão votar no Flávio Bolsonaro. Ele se apresentando dessa maneira pro país”, afirmou.
Dirceu critica bloqueio dos EUA a Cuba
Questionado sobre a situação de Cuba, Dirceu defendeu a posição do governo brasileiro e responsabilizou o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos pela crise enfrentada pelo país caribenho. Segundo ele, a restrição econômica impede o desenvolvimento da ilha e agrava a crise energética.
“Cuba tá nessa situação por causa do bloqueio”, disse. O ex-ministro também classificou as sanções como “um crime contra a humanidade” e afirmou que “o que os Estados Unidos estão fazendo é uma tentativa de quebrar o moral, o sentimento nacionalista de soberania, o orgulho cubano através da miséria”.
Dirceu ainda afirmou que o Brasil deve manter uma política externa independente e declarou que o país “é importante demais para ser tratado como uma colônia americana”.
Enfrentamento de um câncer agressivo
O ex-ministro falou sobre o tratamento contra um linfoma e revelou que enfrenta a doença com disciplina e confiança na recuperação. Segundo ele, o câncer é agressivo, mas curável.
“É um linfoma. Ele é agressivo, até grande pelo tamanho, mas é curável”, afirmou. Dirceu contou que reorganizou a rotina pessoal e profissional para continuar em atividade política durante o tratamento.
Dirceu também relembrou perdas pessoais recentes e admitiu as dificuldades emocionais enfrentadas: “Às vezes bate pesado você saber que você tá com um linfoma". Apesar disso, ele disse confiar na equipe médica e afirmou que pretende seguir atuando politicamente.












