Economia

Eleições 2026: o que candidatos propõem às pequenas empresas

Crédito, impostos, inteligência artificial e privatizações: veja o que os presidenciáveis estão propondo para quem empreende e mantém empresa no Brasil

Avatar de João Kepler
João Kepler
Candidatos à Presidência apresentam propostas para empreendedores | Reprodução

Candidatos à Presidência apresentam propostas para empreendedores | Reprodução

Com a eleição presidencial de 2026 se aproximando, os candidatos apresentam seus planos de governo. Segurança, saúde, educação e programas sociais naturalmente ocupam boa parte do debate, mas existe uma questão que interessa diretamente a milhões de brasileiros e merece atenção especial:

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

O que os candidatos estão propondo para quem empreende no Brasil?

A pergunta é particularmente importante para os pequenos e médios empresários.

No primeiro semestre de 2026, as micro e pequenas empresas foram responsáveis por 543,5 mil das 921,6 mil vagas formais criadas no país. Isso significa que praticamente seis em cada dez novos empregos vieram dos pequenos negócios.

Por isso, fui olhar os programas e as propostas apresentadas pelos candidatos à Presidência sob uma perspectiva específica: empreendedorismo, ambiente de negócios, pequenas e médias empresas, tecnologia e inovação.

Para tornar essa comparação mais objetiva, procurei observar principalmente como cada programa trata questões que afetam diretamente quem empreende: tributação e burocracia, acesso a crédito e capital, contratação, tecnologia e inovação, além das condições para crescimento das empresas.

A primeira conclusão é que praticamente todos reconhecem a importância do empreendedor. As diferenças começam quando observamos como cada um pretende criar condições para que ele empreenda, invista e cresça.

Lula

No programa apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Estado aparece como importante indutor do desenvolvimento empresarial. Entre as propostas estão ampliar crédito e fundos garantidores para micro, pequenas e médias empresas, utilizar compras governamentais como instrumento de desenvolvimento, estimular exportações e apoiar digitalização e aumento de produtividade.

Na área de tecnologia, o programa fala em soberania digital brasileira e menciona inteligência artificial, datacenters, infraestrutura de computação, nuvem, 5G, desenvolvimento de modelos brasileiros de IA e aproximação entre universidades, centros de pesquisa e empresas. Para as pequenas empresas, uma das propostas é utilizar transformação digital e tecnologia para elevar a produtividade.

Zema

Romeu Zema (Novo) parte de uma visão diferente. Seu programa coloca maior ênfase na iniciativa privada, na redução da participação do Estado na economia, nas privatizações, na responsabilidade fiscal e na atração de investimentos privados.

Na área tecnológica, aparecem infraestrutura digital, inteligência artificial, datacenters, cibersegurança, minerais críticos e digitalização do próprio governo. No recorte específico das pequenas e médias empresas, o programa concentra-se mais em medidas horizontais de ambiente de negócios, redução da presença estatal e atração de capital privado do que em programas direcionados exclusivamente ao segmento.

Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro (PL) também apresenta uma agenda de orientação mais liberal para a economia. O plano de governo “Para o Brasil Vencer o Atraso”, divulgado em 13 de agosto, defende redução de despesas públicas e impostos, privatizações, revisão de pontos da reforma tributária e maior espaço para a iniciativa privada.

Para os pequenos negócios, o programa propõe o “Minha Primeira Empresa”, voltado à simplificação da abertura e formalização de negócios, além de crédito e orientação. Também prevê utilizar a rede da Caixa Econômica Federal para ampliar o apoio ao empreendedorismo e propõe iniciativas de internacionalização e exportação de pequenas e médias empresas com participação do BNDES e da Apex-Brasil.

Na área do trabalho, o plano propõe novas modalidades de contratação, incluindo mecanismos para reduzir o custo da contratação de jovens de 18 a 24 anos no primeiro emprego e incentivos à reinserção de profissionais com mais de 50 anos. Em tecnologia, prevê ampliar a digitalização dos serviços públicos e o uso de inteligência artificial na administração pública, além de incluir empreendedorismo, educação financeira, robótica e IA na formação dos jovens.

Caiado

Ronaldo Caiado (PSD) tem colocado responsabilidade fiscal e ambiente empresarial entre os pilares de seu programa econômico. Entre as propostas apresentadas estão revisão tributária, atenção aos pequenos e médios empresários, redução de gastos públicos e medidas destinadas a aumentar a previsibilidade para quem investe e produz.

No recorte de tecnologia e capital empreendedor, entretanto, o programa apresenta até aqui menos medidas específicas para as PMEs do que alguns dos demais planos analisados.

Renan Santos

Renan Santos (Missão) propõe uma ampla reforma da estrutura do Estado, com ajuste fiscal, redução da estrutura pública e reformas com maior participação da iniciativa privada.

Na área de tecnologia, um dos pontos do programa é o Marco Brasileiro da Inteligência Artificial (MBIA), que prevê redução de impostos para empresas de tecnologia e medidas para retenção de talentos no setor. A proposta está associada à criação de Zonas Econômicas Especiais no Nordeste destinadas a atrair datacenters e indústrias de semicondutores.

No caso das PMEs, o efeito esperado dessas propostas viria principalmente da mudança do ambiente econômico, tributário e regulatório, enquanto o programa dedica maior atenção à indústria de tecnologia e às reformas estruturais do que a políticas exclusivas para pequenas e médias empresas.

Entre os demais candidatos, existem propostas pontuais relacionadas ao empreendedorismo. Augusto Cury (Avante) coloca o empreendedorismo entre os instrumentos de geração de oportunidades, e Leonardo Avalanche (PRTB) relaciona empreendedorismo à inclusão digital e chegou a propor capacitação empreendedora acompanhada de acesso a smartphone e internet como ferramentas para geração de renda.

PCB, PSTU, UP e PCO apresentam, com diferenças entre si, uma visão de maior participação do Estado na economia. Seus programas defendem maior proteção trabalhista e, em diferentes graus, maior controle público sobre setores estratégicos. Algumas dessas candidaturas também apresentam críticas à terceirização, à pejotização e à chamada “uberização” do trabalho.

Até aqui, procurei descrever o que está nos programas. Mas existe uma segunda pergunta que considero igualmente importante: O que ainda está faltando neles quando olhamos especificamente para a manutenção e o crescimento das pequenas e médias empresas?

Depois de analisar as propostas, percebi alguns pontos em comum.

Crédito aparece muito. Desburocratização aparece muito. Inovação aparece cada vez mais. Inteligência artificial finalmente entrou nos planos de governo.

Mas também percebi ausências importantes.

Pouco se fala, por exemplo, sobre capital empreendedor.

O empresário brasileiro continua sendo visto principalmente como alguém que precisa de crédito, muitas vezes oferecido ou estimulado pelo próprio Estado. Mas empresas também crescem por meio de capital de investidores e de instrumentos nos quais empresários e investidores compartilham riscos e resultados.

Crédito e investimento não são a mesma coisa. No crédito, a empresa assume uma dívida. No investimento, empresário e investidor passam a compartilhar riscos e, dependendo do modelo, também os resultados. Para empresas em crescimento, precisamos discutir as duas alternativas.

Também encontrei poucas propostas estruturadas para resolver outro problema brasileiro: como fazer uma pequena empresa se manter, crescer e deixar de ser pequena?

É verdade que aparecem nos programas políticas para o MEI, além de propostas relacionadas ao Simples Nacional, crédito, abertura e formalização. Mas ainda falta responder a uma questão importante.

Mas qual é a política brasileira para transformar uma empresa de R$ 2 milhões de faturamento em uma empresa de R$ 20 milhões? E depois de R$ 20 milhões em R$ 100 milhões?

Em outras palavras, temos muitas políticas para o nascimento das empresas, mas ainda discutimos pouco como mantê-las saudáveis e, principalmente, como criar condições para que ganhem escala.

Esse é um ponto que considero central. Uma boa política para pequenas empresas não deveria ser medida apenas pela quantidade de negócios que ajuda a abrir, mas também por quantos consegue ajudar a sobreviver, crescer e ganhar escala

Também gostaria de ver uma discussão mais profunda sobre inteligência artificial aplicada às PMEs. Não apenas sobre desenvolver modelos brasileiros, construir datacenters ou utilizar IA no governo, mas sobre como colocar essa tecnologia dentro de milhões de pequenas empresas para aumentar a produtividade.

Imagine pequenos empresários utilizando inteligência artificial para vendas, atendimento, cobrança, gestão financeira, estoque, marketing e tomada de decisão.

Talvez uma das políticas de IA com maior impacto para as PMEs seja justamente democratizar o acesso a essas ferramentas e capacitar milhões de empresários para utilizá-las na operação dos seus negócios.

No final, os candidatos apresentam visões diferentes sobre como alcançar esses objetivos.

Lula atribui ao Estado um papel mais direto na indução do desenvolvimento, no financiamento, na inovação e nas compras públicas. Zema e Renan Santos dão maior peso à iniciativa privada, ao ambiente de negócios e à redução da presença estatal. Flávio Bolsonaro também parte de uma orientação pró-iniciativa privada, mas combina essa visão com instrumentos públicos de crédito, apoio ao empreendedorismo e internacionalização. Caiado concentra parte importante de sua agenda em responsabilidade fiscal, tributação e previsibilidade do ambiente empresarial. Já PCB, PSTU, UP e PCO, com diferenças entre seus programas, atribuem papel maior ao Estado e à proteção das relações de trabalho.

São modelos diferentes sobre o papel do Estado, do mercado e do capital privado no desenvolvimento econômico.

Não cabe aqui dizer qual modelo é melhor.

Cabe ao empresário conhecer as propostas, aprofundar sua própria análise e avaliar os possíveis efeitos sobre impostos, crédito, custos, empregos, investimentos, produtividade e crescimento da sua empresa.

Mas acredito que existe uma pergunta que deveria ser feita a todos os candidatos:

O seu plano de governo ajuda apenas o pequeno empresário a sobreviver ou cria condições para ele se mante, para crescer e gerar prosperidade?

Porque o Brasil já possui milhões de empreendedores.

O próximo desafio é criar condições e educação para que mais empreendedores se tornem empresários, mais pequenas empresas se transformem em médias, mais médias se tornem grandes e mais empresas brasileiras tenham condições de competir no mundo.

Mais da Nova Economia

Economia
há 3 dias

Tecnologia vira requisito para pequenas empresas

Pesquisa mostra que digitalização básica já está consolidada entre os pequenos negócios. Desafio é transformar tecnologia em produtividade e competitividade

Economia
há 4 dias

Endividamento das famílias bate novo recorde

Comprometimento da renda continua avançando e pressiona o consumo

Economia
há 9 dias

Pequenos negócios criam quase 6 em cada 10 empregos no país

Segmento responde por quase 60% das vagas formais criadas no semestre, mas custo do crédito, burocracia e baixa produtividade seguem como obstáculos

Economia
há 11 dias

Tigrinho e bets entram nas empresas e afetam produtividade

Levantamento aponta que apostas online já prejudicam o desempenho durante o trabalho, enquanto cresce o número de afastamentos relacionados ao vício

Economia
há 15 dias

Brasileiro não deixou de consumir, mudou a forma de gastar

Pesquisa mostra queda no volume de vendas em 70% das categorias de bens de consumo e revela como inflação e endividamento mudaram as escolhas das famílias

Economia
há 15 dias

Cesta básica já consome mais da metade do salário

Alta dos alimentos mantém pressão sobre o orçamento das famílias; valor médio da cesta chega a R$ 779,95 nas capitais brasileiras

Economia
há 16 dias

Sucessão em empresas familiares desafia os negócios

Diferenças de visão entre fundadores e sucessores dificultam transição de comando; especialistas sugerem governança e planejamento para preservar o legado

Economia
há 16 dias

Intenção de consumo das famílias tem maior nível desde 2015

Pesquisa mostra recuperação da disposição para consumir, enquanto consumidores seguem preocupados com emprego, renda e juros elevados

Economia
há 18 dias

Brasileiros empreendem mais, mas informalidade é desafio

Tecnologia e autonomia impulsionam o empreendedorismo, enquanto milhões de brasileiros ainda atuam sem CNPJ e proteção previdenciária

Economia
há 22 dias

IA está pronta para trabalhar nas pequenas e médias empresas

Empresas já estão utilizando uma plataforma de produtividade capaz de executar tarefas, acessar documentos e aumentar a eficiência

Economia
14/07/2026

Split Payment exigirá nova gestão financeira das PMEs

A Reforma Tributária promete simplificar o recolhimento dos impostos e reduzir burocracias, mas também elimina importante fôlego de caixa de empresas

Economia
10/07/2026

Empresas do Simples terão de adotar padrão nacional de nota

Nova regra unifica emissão da Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e) para prestadores de serviços; Especialistas recomendam iniciar adaptação o quanto antes

Economia
07/07/2026

Novo CNPJ Alfanumérico e o risco do travamento operacional

Novo modelo amplia a capacidade de registros, mas exige atualização dos sistemas para evitar falhas em cadastros, faturamento e documentos fiscais

Economia
06/07/2026

Rombo fiscal das estatais acende alerta para PMEs

Déficit acumulado de R$ 7,4 bilhões até maio já supera todo o resultado negativo de 2025 e reforça pressões sobre juros, crédito e ambiente de negócios

Economia
03/07/2026

A geração "nem-nem" está mudando no Brasil?

Mais brasileiros conciliam trabalho e estudo e indicam nova dinâmica profissional em meio às transformações no mercado de trabalho

Últimas notícias de Economia

Economiahá 13 horas

Salário mínimo pode ter alta de R$ 120 em 2027; veja valor

Salário será usado na elaboração do Orçamento e subiu R$ 24 em relação à estimativa anterior; mudança reflete revisão das projeções de inflação

Economiahá 13 horas

Maioria acha improvável ficar desempregado, mostra FGV

Pesquisa aponta que 59,3% dos brasileiros veem pouca chance de ficar sem trabalho; índice aumentou 4,9 pontos percentuais no último ano

Economiahá 18 horas

BC decreta liquidação de duas empresas do grupo Simpala

Decisão cita problemas financeiros e graves violações às normas do setor; controladores se dizem surpresos com a medida

Economiahá 18 horas

Fazenda volta a rebater inércia da União em crise do BRB

Durigan diz que problema “não tem nada a ver com o Governo Federal”, mas afirma que, mesmo assim, a União apresentou uma saída para viabilizar o empréstimo

Economiahá 18 horas

Durigan diz que governo terá cautela em reação aos EUA

Ministro da Fazenda afirma que contramedidas “podem vir ou não a ser adotadas” após abertura do processo