Após pressão, governo antecipa reunião com clubes sobre bets
Encontro está previsto para terça (29), após reação de times que perderão receitas com patrocínios de casas de apostas

Presidente Lula (PT) posa para foto com camisa da seleção brasileira na Granja do Torto, em Brasília | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR
Após a reação dos clubes de futebol à Medida Provisória que proibiu a operação das casas de apostas, o governo federal antecipou a reunião com representantes das equipes para discutir os impactos da medida.
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O encontro está previsto para terça-feira (29) e deve reunir representantes dos clubes das Séries A e B. A reunião é organizada pelos ministérios do Esporte e da Fazenda.
Inicialmente, a ideia do governo era realizar uma primeira rodada de conversas com os dirigentes e, depois, promover um encontro com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com a pressão dos clubes, o ministro do Esporte, Paulo Henrique Perna Cordeiro, foi designado para antecipar a interlocução com as equipes.
Os clubes alegam que o fim das bets terá impacto direto nas receitas das equipes, principalmente por causa da perda de contratos de patrocínio. Casas de apostas já começaram a notificar clubes sobre a possibilidade de rescisão dos contratos comerciais.
Linha de crédito de até R$ 20 bilhões
Uma das principais propostas em discussão é a criação de uma linha de crédito federal de até R$ 20 bilhões para clubes e Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs).
O programa, chamado de Programa Nacional de Reestruturação Financeira do Futebol Profissional, permitiria que os clubes trocassem dívidas antigas e mais caras por financiamentos com juros menores, em condições semelhantes às do BNDES. A proposta não prevê perdão das dívidas, mas a possibilidade de refinanciamento.
Os recursos poderiam ser usados para quitar dívidas trabalhistas e direitos de imagem, débitos com Receita Federal, INSS e FGTS, empréstimos bancários e dívidas civis. Também está prevista a possibilidade de utilização do crédito em investimentos na infraestrutura das categorias de base.
A proposta em discussão prevê prazo de até 20 anos para pagamento, com dois anos de carência. O dinheiro seria disponibilizado por bancos habilitados, e o risco do crédito ficaria com as instituições financeiras, e não diretamente com a União.
O financiamento, porém, não poderia ser usado para despesas correntes, como salários, contratação de jogadores ou distribuição de lucros e dividendos por SAFs.
Lula assinou na sexta-feira (25) a MP que proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no Brasil. A medida atinge tanto as apostas esportivas quanto os jogos on-line e também impede a publicidade das empresas do setor.
A decisão abriu uma frente de negociação com o futebol. O governo já vinha discutindo medidas para reduzir o impacto financeiro nos clubes, mas a reação das equipes acelerou as conversas.























