Política

Alcolumbre negocia cargos, gabinetes e garagem por reeleição

Presidente do Senado oferece melhores gabinetes e vagas de estacionamento a novatos em busca de votos; articulação inclui emendas e cargos no governo Lula

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Por Túlio Amâncio
Presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), na sessão solene de promulgação de emendas constitucionais | Reprodução/YouTube

Presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), na sessão solene de promulgação de emendas constitucionais | Reprodução/YouTube

A disputa pela presidência do Senado em 2027 já movimenta os bastidores da Casa, e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) tem recorrido até à localização de gabinetes e vagas de estacionamento para conquistar votos. O presidente do Senado intensificou as conversas com parlamentares recém-eleitos e negocia benefícios da estrutura administrativa da Casa em troca de apoio à sua reeleição.

Segundo aliados, Alcolumbre tem se reunido com os futuros senadores. Nessas conversas, a escolha de gabinetes mais bem localizados e de vagas de garagem consideradas melhores entrou no pacote de negociações políticas.

A estratégia também envolve recursos públicos. Alcolumbre discute com os novatos a destinação de uma parcela das emendas parlamentares previstas no Orçamento de 2027. Como os senadores eleitos ainda não assumiram os mandatos, eles não participam diretamente da elaboração da proposta orçamentária.

Mas a articulação vai além da estrutura do Senado. Alcolumbre também trabalha para ampliar a influência de seu grupo político sobre cargos estratégicos no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na lista de prioridades estão 18 diretorias de agências reguladoras que aguardam indicações do governo federal. Algumas permanecem vagas há meses em meio a divergências entre Alcolumbre e o Planalto sobre os nomes que deveriam ocupar os postos.

O presidente do Senado resistiu ao avanço de indicações com as quais não concordava. Agora, aposta que o novo cenário político permitirá negociar essas nomeações em condições mais favoráveis.

O interesse também alcança ministérios e empresas estatais. Entre os postos cobiçados está o comando do Banco do Brasil, instituição sobre a qual Alcolumbre busca ampliar sua influência há anos.

O senador considera que saiu fortalecido das articulações em torno do fim da escala 6x1 e da aprovação da PEC da Segurança Pública. A avaliação é que essas vitórias legislativas aumentaram seu poder de negociação com Lula e com os partidos do Centrão.

Apesar da movimentação, Alcolumbre ainda enfrenta possíveis adversários. Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) trabalham com a possibilidade de disputar a presidência do Senado. Os dois chegaram a conversar sobre uma candidatura única, mas não houve acordo.

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