Política

Diplomatas esperam investigação sobre fuga de Flávio aos EUA

Com vitória democrata no Congresso americano, expectativa é de pressão sobre governo Trump, exposição de documentos e questionamentos sobre visto do senador

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Por Túlio Amâncio
Flávio Bolsonaro desembarcou em Miami na quarta (28) | REUTERS/Eva Marie Uzcategui

Flávio Bolsonaro desembarcou em Miami na quarta (28) | REUTERS/Eva Marie Uzcategui

Com a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, diplomatas brasileiros esperam que o Congresso americano avance nas investigações sobre a possível participação do governo de Donald Trump na fuga de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A avaliação é que a mudança no comando do Legislativo pode trazer consequências políticas para a Casa Branca e jurídicas para o senador, dependendo do que for descoberto.

Os democratas já começaram a se mobilizar. Um grupo de 25 parlamentares cobrou explicações do Departamento de Estado sobre a entrada de Flávio nos EUA, mesmo após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a entrega de seus passaportes.

Com o controle da Câmara e do Senado a partir de janeiro, os democratas poderão abrir investigações formais, convocar autoridades e exigir documentos sobre a operação. Um dos possíveis alvos é o secretário de Estado, Marco Rubio, apontado por aliados de Flávio como responsável por articulações que facilitaram sua chegada aos Estados Unidos.

Uma investigação poderá revelar quem autorizou a entrada do senador, se houve utilização de recursos públicos americanos e se integrantes do governo Trump tinham conhecimento das restrições impostas pela Justiça brasileira.

Entre as possíveis consequências estão o desgaste político de Trump, a exposição de autoridades envolvidas na operação e o questionamento da regularidade da autorização migratória concedida a Flávio. Caso sejam identificadas irregularidades, as informações poderão fundamentar novas apurações administrativas ou judiciais nos Estados Unidos.

A eventual descoberta de participação de autoridades americanas na fuga também poderá ampliar o constrangimento diplomático entre Washington e Brasília e fornecer elementos para iniciativas das autoridades brasileiras. Uma investigação parlamentar, porém, não determina automaticamente a revogação do visto nem a extradição do senador.

O deputado democrata Joaquin Castro já havia criticado a atuação da Casa Branca. “Perder uma eleição não é motivo para asilo”, afirmou. O parlamentar também cobrou explicações sobre uma eventual ajuda americana para que Flávio deixasse o Brasil.

O grupo de congressistas estabeleceu o dia 13 de novembro como prazo para receber respostas do Departamento de Estado.

Flávio deixou o Brasil após ser derrotado por Lula no segundo turno das eleições presidenciais. O senador viajou com a esposa e as duas filhas e chegou aos Estados Unidos depois de descumprir a ordem de entrega dos passaportes.

Para a diplomacia brasileira, o novo cenário político americano abre a possibilidade de que o episódio deixe de ser tratado apenas no âmbito das relações bilaterais e passe a ser submetido à fiscalização do próprio Congresso dos Estados Unidos.

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