Política

Primo petista de Mendonça cita Gilmar e critica uso da fé

Pastor Luís Sabanay, que é dirigente nacional do PT, diz em artigo que ‘púlpito não é palanque’ e ‘fé não é instrumento de poder’

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Ranier Bragon
O ministro André Mendonça durante sessão plenária do STF em 15 de setembro de 2026 | O ministro Flávio Dino durante sessão plenária do STF em 15 de setembro de 2026 | Alejandro Zambrana/STF

O ministro André Mendonça durante sessão plenária do STF em 15 de setembro de 2026 | O ministro Flávio Dino durante sessão plenária do STF em 15 de setembro de 2026 | Alejandro Zambrana/STF

Primo de primeiro grau do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, o pastor presbiteriano Luís Alberto de Mendonça Sabanay, que também é dirigente do Diretório Nacional do PT, publicou nesta quarta-feira (16) artigo em que parte de uma frase de Gilmar Mendes para condenar a instrumentalização da fé por detentores do poder e para dizer que “púlpito não é palanque”.

“‘Em nome de Deus já se fez muita patifaria.’ A frase do ministro Gilmar Mendes, durante a sessão do Supremo Tribunal Federal de 15 de setembro, em meio ao embate com André Mendonça, ultrapassou a controvérsia entre os dois ministros. Ela recoloca uma questão que a democracia brasileira ainda precisa enfrentar: o que acontece quando a religião é usada como salvo-conduto para o exercício do poder?”, escreveu Sabanay.

Gilmar citou Deus no embate com Mendonça, que também é pastor presbiteriano, no contexto da acusação de que o colega do STF usou a relatoria do caso Master com “inequívoco viés político-eleitoral”.

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Mendonça, que na sessão classificou a acusação de Gilmar como leviana, foi procurado por meio de sua assessoria, mas não quis se manifestar sobre o artigo publicado pelo primo.

O ministro do STF foi indicado à corte por Jair Bolsonaro, de quem foi ministro da Justiça e da Advocacia-Geral da União.

Em seu texto, Sabanay não direciona suas ponderações críticas diretamente a Mendonça, mas afirma ser contra o uso da religião “para blindar posições políticas contra a crítica”.

O pastor diz que não defende a retirada da religião da vida pública e afirma que igrejas e cidadãos religiosos têm direito de participar do debate político. Para ele, porém, “criticar a instrumentalização política da religião não significa atacar quem crê”.

Gilmar e outros críticos de Mendonça têm sido acusados, principalmente no círculo evangélico, de atacarem o ministro do STF devido à sua convicção religiosa.

“Não se exige de ninguém que abandone sua fé ao entrar na vida pública. Exige-se apenas que separe sua convicção pessoal da autoridade institucional que exerce em nome da República”, prosseguiu Sabanay.

Ao SBT News, o primo de Mendonça afirmou fazer questão de separar a relação familiar do conteúdo do artigo.

“Não escrevi pensando especificamente no André. A questão é mais ampla. A instrumentalização da religião acontece quando a fé, seus símbolos ou sua autoridade são usados para dar uma legitimidade maior a uma posição política ou de poder, como se invocar Deus pudesse encerrar o debate ou proteger alguém da crítica. Isso pode acontecer em qualquer campo político e também dentro das instituições”, disse.

“O ponto central do artigo é justamente esse: a presença da religião na política é legítima. O problema é transformar a religião em instrumento de poder.”

O primo de Mendonça e dirigente do PT encerra seu texto dizendo que o verdadeiro desafio das próximas eleições não será decidir quem fala em nome de Deus, mas impedir que alguém use Deus para falar em nome de todos.

"Púlpito não é palanque. Fé não é instrumento de poder. Deus não é propriedade de ninguém”.

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