Eduardo Gayer
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Coluna do Gayer

Jornalista pela PUC-SP e Historiador pela USP, Eduardo Gayer tem experiência na cobertura de política e economia em Brasília. Atuou na Times Brasil/CNBC, Coluna do Estadão e Broadcast.

Política

Empresa de Ciro Nogueira comprou 30% de firma de Vorcaro por valor abaixo do mercado, diz PF

Para burlar a fiscalização, a operação foi realizada por meio de contrato de gaveta que ocultava real beneficiário

Imagem da noticia Empresa de Ciro Nogueira comprou 30% de firma de Vorcaro por valor abaixo do mercado, diz PF
Ciro Nogueira
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Investigação da Polícia Federal aponta que a CNLF Empreendimentos Imobiliários, empresa que pertenceria ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), comprou 30% das ações da Green Investimentos S.A, ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro.

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A transação foi de R$ 1 milhão, valor abaixo do valor de mercado, apontado em R$ 13 milhões. Esse deságio, de 92,3%, seria parte de um esquema criminoso para transferir recursos de Vorcaro a Nogueira, em troca de apoio político a interesses do Master no Congresso Nacional.

A CNLF era o que a PF chamou de “veículo patrimonial central do núcleo vinculado a Ciro Nogueira”. “Funcionando, em tese, como instrumento de recepção, circulação e formalização aparente de recursos destinados ao senador”, afirma a decisão do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF).

A PF identificou que a CNLF sequer tinha funcionários registrados, o que foi entendido como um indício de fraude. “Especificamente em relação à CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., a autoridade policial apontou a ausência de registro formal de qualquer pessoa empregada, bem como a identidade entre o endereço indicado como sendo sua sede e o endereço de outra empresa do mesmo grupo familiar”, afirma André Mendonça.

De acordo com o despacho, a compra de fração da Green Investimentos pela CNLF, que era apenas parte do esquema de pagamentos indevidos ao presidente nacional do PP, “foi mantida sob a forma de contrato de gaveta, precisamente para contornar restrições do acordo de acionistas e evitar a supervisão regulatória”.

Havia ainda uma ocultação das partes dessa transação, para dificultar o rastreio dos recursos. A CNLF era administrada formalmente por Raimundo Neto, irmão do senador, enquanto a Green Investimentos era 100% controlada pelo fundo Green Energia FIP, que pertence integralmente à família de Daniel Vorcaro.

"Apurou-se que são formalmente administradas, ou pertencem em sua integralidade, ao núcleo familiar de DANIEL VORCARO, tendo sido colocadas sob o controle formal de OSCAR e FELIPE VORCARO (pai e filho, respectivamente), como instrumentos de viabilização das transações investigadas", diz a decisão de Mendonça sobre a Green.

Primo do banqueiro, Felipe Cançado Vorcaro, inclusive, atuou como presidente da Green Investimentos S.A. de novembro de 2021 até 19 de novembro de 2025, um dia depois da deflagração da primeira fase Operação Compliance Zero. Apontado como operador do núcleo financeiro do esquema, Felipe Vorcaro foi preso temporariamente nesta quinta-feira (7).

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