Fila em ano eleitoral e rivalidade com ministro derrubaram presidente do INSS, dizem auxiliares de Lula
Aliados do agora ex-chefe do órgão, porém, falam em desculpa frágil e veem reação política

Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmam que a demissão de Gilberto Waller da presidência do INSS se deve a dois fatores: a manutenção da fila de pedidos de benefícios na casa dos milhões — em pleno ano eleitoral — e a sua rivalidade com o ministro da Previdência, Wolney Queiroz.
Procurador federal, Waller assumiu o INSS em abril de 2025 após uma operação da Polícia Federal que descobriu fraudes no órgão. À época, havia 2,678 milhões de pessoas na fila do INSS. Em março deste ano, de acordo com dados divulgados hoje, a análise de pedidos até bateu recorde, mas as solicitações não param de crescer e a fila fechou em 2,793 milhões. O governo federal teme que o número elevado prejudique a campanha à reeleição de Lula.
Waller foi demitido nesta segunda-feira (13) pelo secretário executivo do Ministério da Previdência, Felipe Cavalcante. A servidora de carreira Ana Cristina Silveira assumiu o cargo. Em nota, a pasta afirma que a nova presidente do INSS terá a missão de acelerar a análise de benefícios e simplificar processos internos.
Desde o ano passado, Gilberto Waller estava em rota de colisão com o ministro da Previdência por divergências na condução do órgão e vinha sendo citado como “na corda bamba” há semanas. Ao desistir de disputar as eleições para permanecer na pasta até o fim do ano, Wolney Queiroz conseguiu selar a demissão do desafeto.
Um episódio citado como decisivo no rompimento foi um ofício enviado por Waller a Queiroz pedindo a demissão da vice-presidente do INSS, Léa Amorim, por suposta proximidade com Allessandro Stefanutto, ex-presidente preso na Operação Sem Desconto. O ministro da Previdência negou a exoneração e falou em “alegações genéricas”.
Apesar da fila do INSS mais alta do que no momento da posse do agora ex-chefe do INSS, aliados diretos de Gilberto Waller dizem que a justificativa do governo é frágil porque o procurador bateu recordes de análises de pedidos. Para esses interlocutores, Waller caiu por uma reação da classe política a “medidas saneadoras” aplicadas por ele desde a descoberta das fraudes.
O entorno do ex-presidente do INSS afirmam ainda que houve um acordo para viabilizar, no Senado, a aprovação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). O relator da indicação, senador Weverton (PDT), foi alvo da PF na operação sobre as fraudes nas aposentadorias.
À coluna, Weverton negou veementemente qualquer relação com a queda do presidente do INSS. “Isso é totalmente descabido. Desde o ano passado eu já havia sinalizado a favor do Messias. Sou vice-líder do governo, não fico chantageando. Eu não tenho nem o telefone desse rapaz [Gilberto Waller], não é meu desafeto”, argumentou.
















































































































