Política

Lula demite Waller Júnior da presidência do INSS e servidora de carreira assume cargo

Ana Cristina Viana Silveira comanda órgão após ocupar secretaria-executiva adjunta de ministério e chefiar Conselho de Recursos da Previdência Social

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Felipe Moraes

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta segunda-feira (13) que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) passa a ter Ana Cristina Viana Silveira como presidente a partir da data de hoje. Servidora de carreira, ela ocupa cargo deixado por Gilberto Waller Júnior, demitido pelo mandatário após 11 meses no comando da instituição.

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Segundo o Ministério da Previdência Social, ao qual o INSS é vinculado, Viana Silveira tem "a missão estratégica de acelerar a análise de benefícios e simplificar os processos internos do instituto".

"A escolha de uma servidora com visão sistêmica — que compreende o fluxo previdenciário desde o atendimento nas agências até a fase recursal — marca um novo momento para o Instituto, focado na redução do tempo de espera e qualidade do atendimento aos segurados", disse a Previdência, em comunicado.

Formada em direito, Ana Cristina Viana Silveira é servidora do INSS desde 2003, no cargo de analista do Seguro Social. Entre 2020 e 2024, atuou como professora de direito previdenciário. De abril de 2023 a fevereiro de 2026, ocupou a presidência do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS).

Segundo a pasta, nos três anos de gestão à frente do CRPS, o conselho "dobrou a capacidade de análise de recursos". Desde fevereiro, atuava como secretária-executiva adjunta do Ministério da Previdência.

"Agradeço a Gilberto Waller pela importante contribuição nesse período e dou as boas-vindas à Dra. Ana Cristina. Ela tem o perfil ideal para iniciar esse novo momento e cumprir a determinação do presidente Lula, que é solucionar a fila e não deixar nenhum brasileiro para trás. Sua nomeação também entrega o comando do Instituto nas mãos de seus próprios servidores. Tenho a alegria ainda de anunciar mais uma mulher para a alta cúpula do órgão, que já tem quatro diretoras", disse o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, em comunicado oficial.

Fila do INSS

Em outra nota, o governo federal divulgou hoje que a chamada fila do INSS, de contribuintes à espera da análise de benefícios, caiu de 3,1 milhões para 2,7 milhões em março. Isso se deve, segundo a autarquia, ao recorde de 1,6 milhão de processos concluídos no mês passado.

"O recorde de desempenho impacta diretamente quem aguarda uma resposta para os principais pedidos de benefícios, como aposentadorias, pensões e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) — destinado a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda", disse o INSS.

"Esse grupo, classificado tecnicamente como Reconhecimento Inicial de Direitos (RID), registrou, em apenas um mês, uma redução acentuada de 334 mil processos. O número representa uma queda de quase 11% no estoque (pedidos aguardando resposta), aliviando a espera de cidadãos que dependem da concessão de direitos previdenciários e assistenciais geridos pela autarquia", completou.

Fraudes em benefícios

Viana Silveira também assume comando do INSS em momento de turbulência do instituto. Deflagrada em abril do ano passado, a operação Sem Desconto, da Polícia Federal (PF), revelou esquema bilionário de fraudes por descontos associativos irregulares em aposentadorias e pensões, pelo menos de 2019 a 2024. O caso segue sob investigação em inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro André Mendonça.

O antecessor da nova presidente, Waller Júnior, assumiu INSS em maio de 2025, após Alessandro Stefanutto ser exonerado por suspeita de envolvimento nos desvios.

Stefanutto foi preso pela PF em novembro de 2025, em outra fase da força-tarefa.

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