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Junho foi o mês mais letal para civis na Ucrânia

Levantamento da ONU aponta aumento nas mortes e nos feridos em meio à intensificação dos ataques russos com mísseis e drones

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Julia Delaosa
14/07/2026, 21:46 • Atualizado em 14/07/2026, 21:46
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Junho foi o mês mais letal para civis na Ucrânia

Um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (14) revela que junho de 2026 foi o mês com o maior número de mortes de civis na Ucrânia desde abril de 2022, quando o conflito ainda estava nos primeiros meses.

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De acordo com a Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos das Nações Unidas na Ucrânia (HRMMU), missão da ONU responsável por monitorar a situação dos direitos humanos no país, ao menos 293 civis morreram e outros 1.990 ficaram feridos durante o mês em decorrência da intensificação dos ataques russos.

Segundo a ONU, 45% das vítimas registradas em junho estão relacionadas ao uso de mísseis e drones de longo alcance, empregados principalmente em bombardeios contra cidades distantes da linha de frente, como Kiev e Dnipro.

Maio já havia registrado o maior número de vítimas civis em mais de quatro anos. Em junho, porém, esse total voltou a crescer, tornando o período o mais letal para a população civil desde abril de 2022.

Nos seis primeiros meses de 2026, a HRMMU contabilizou 1.396 civis mortos e 7.978 feridos. O total representa um aumento de 37% em relação ao mesmo período de 2025 e de 114% na comparação com o ano anterior.

O relatório também alerta para o aumento do uso de drones de curto alcance nas áreas próximas à linha de frente, o que, segundo a ONU, tem ampliado os riscos para civis durante atividades cotidianas.

Para Danielle Bell, chefe da HRMMU, os números indicam uma tendência alarmante de escalada no número de vítimas civis.

"Os números mostram uma tendência alarmante de escalada, com um número crescente de vítimas civis, impulsionada pelo uso cada vez maior de armas poderosas, particularmente letais quando usadas em áreas urbanas densamente povoadas", afirmou.
Bell acrescentou que "essa tendência deve servir de alerta de que os riscos enfrentados pelos civis não apenas persistem, mas também aumentam em escala e complexidade".

Desde o início da invasão russa, em 24 de fevereiro de 2022, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) confirmou pelo menos 16.431 civis mortos, entre eles 803 crianças, além de 48.613 feridos, incluindo 2.960 crianças.

Últimos ataques

Os dados divulgados pela ONU refletem a intensificação do conflito. Um exemplo ocorreu na madrugada de domingo (12), quando ataques com drones e mísseis russos deixaram quatro mortos na Ucrânia. Ao mesmo tempo, bombardeios realizados pelas forças ucranianas contra a Rússia e territórios ocupados por Moscou provocaram cinco mortes.

Na região de Dnipropetrovsk, no centro-leste da Ucrânia, ofensivas com drones e artilharia mataram três pessoas. Duas delas morreram durante um ataque contra uma empresa industrial na cidade de Kryvyi Rig, segundo o governador militar regional, Oleksandr Ganja.

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