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Ataques da Ucrânia ampliam crise de combustível na Rússia

Ofensivas contra refinarias reduzem a produção de gasolina na Rússia e ampliam os impactos econômicos da guerra

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Julia Delaosa
Ataques da Ucrânia ampliam crise de combustível na Rússia

Os ataques da Ucrânia contra refinarias russas começaram a provocar uma crise de combustível em diferentes regiões do país. A Rússia registra aumento de preços, filas em postos e relatos de escassez de gasolina, à medida que cresce a pressão sobre sua capacidade de refino, segundo agências internacionais.

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De acordo com a Reuters, sucessivas ofensivas com drones contra instalações petrolíferas passaram a pressionar o mercado interno de combustíveis. Como consequência, a produção de gasolina caiu cerca de 20%. Atualmente, a Rússia produz cerca de 85 mil toneladas de gasolina por dia. Com a oferta abaixo da demanda, algumas regiões registram filas em postos de combustíveis, restrições no abastecimento e aumento dos preços.

A agência também informa que, diante da redução da oferta, a Rússia chegou a recorrer à importação de gasolina da Índia para aliviar a escassez. A combinação entre a queda na produção e o aumento da demanda durante o verão ampliou a pressão sobre o abastecimento interno de combustíveis.

Enquanto isso, a guerra entre Rússia e Ucrânia registrou uma nova escalada. Moscou lançou um dos maiores ataques recentes contra Kiev, utilizando centenas de drones e dezenas de mísseis. A ofensiva deixou mortos e feridos na capital ucraniana, segundo o The Guardian.

Os dois movimentos mostram uma nova frente do conflito. Enquanto a Ucrânia amplia os ataques à infraestrutura responsável pelo refino e pela logística de combustíveis, Moscou intensifica as ofensivas aéreas contra cidades ucranianas. Os impactos econômicos da guerra, antes concentrados no campo militar, começam a aparecer dentro do território russo.

Como começou a intensificação dos ataques ucranianos

As forças ucranianas atingiram nesta quarta-feira (1º) a principal refinaria de petróleo de Ufa, na Rússia, pela segunda vez em uma semana, segundo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

A refinaria é uma das maiores produtoras de lubrificantes da Rússia e fica a mais de mil quilômetros da Ucrânia, afirmou, em publicação na rede social X.

Segundo Zelensky, a Ucrânia também atingiu uma planta que produz componentes de mísseis na região russa de Penza, a sudeste de Moscou, a cerca de 500 quilômetros da fronteira com a Ucrânia.

Na mesma ofensiva, foram lançados quase 1.000 drones contra diversas regiões da Rússia. Durante o ataque, estabelecimentos comerciais e prédios residenciais foram atingidos, e os quatro aeroportos da capital foram fechados durante a manhã.

Além disso, os drones atingiram a refinaria de petróleo de Moscou, atacada pela segunda vez em menos de uma semana, provocando uma grande nuvem de fumaça que encobriu o céu da cidade.

Desde o início de 2025, a Ucrânia intensificou os ataques contra refinarias e outras estruturas ligadas ao setor energético. A estratégia, baseada no uso de drones de longo alcance, busca atingir a capacidade de refino e a logística de combustíveis do país.

Segundo a Associated Press, essas ofensivas fazem parte de um esforço mais amplo para pressionar a infraestrutura energética da Rússia e reduzir sua capacidade logística em meio à guerra.

Produzir petróleo não é o mesmo que produzir gasolina

Petróleo | Getty Images
Petróleo | Getty Images

Os impactos sobre o abastecimento estão diretamente ligados ao funcionamento das refinarias. Embora a Rússia seja uma das maiores produtoras de petróleo do mundo, isso não garante a oferta de gasolina ao consumidor.

O petróleo bruto precisa passar pelo processo de refino para ser transformado em gasolina, diesel e outros derivados. Por isso, um país pode continuar produzindo grandes volumes de petróleo e, ainda assim, enfrentar falta de combustíveis se parte de sua capacidade de refino for comprometida.

Segundo a U.S. Energy Information Administration (EIA), o refino é uma etapa essencial da cadeia energética. Qualquer interrupção nesse processo, como danos às refinarias ou redução da capacidade operacional, impacta diretamente o abastecimento interno.

A International Energy Agency (IEA) destaca que gargalos no refino podem gerar desequilíbrios entre oferta e demanda de combustíveis, especialmente quando há pressão sobre esse setor.

Com a continuidade dos ataques e a redução da capacidade de refino, a guerra passa a produzir efeitos que vão além do campo de batalha. Enquanto Kiev amplia a estratégia de atingir a infraestrutura de combustíveis, Moscou enfrenta dificuldades crescentes para manter o abastecimento interno, mostrando que o setor energético também se tornou uma das principais frentes do conflito.

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