Operação da PF investiga esquema de fraudes no INSS e cumpre mandados no Maranhão e Piauí
Atual fase da força-tarefa mira responsáveis por "cooptar os 'clientes'" e advogados "que atuariam para viabilizar a concessão dos benefícios"


Anita Prado
Felipe Moraes
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (8) a operação Recidiva, resultado de investigação sobre esquema de fraudes no INSS. Uma equipe de 32 agentes cumpriu, ao todo, 6 mandados de prisão temporária e 8 de busca e apreensão nos estados do Maranhão e do Piauí.
Segundo a corporação, grupo criminoso "inseria vínculos empregatícios falsos" em sistema oficial "para obtenção indevida de benefícios". O prejuízo estimado chega a R$ 4,6 milhões.

Expedidas pela 2ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Maranhão, as ordens judiciais de prisão temporária foram cumpridas em São Luís (MA) e Parnaíba (PI). Os demais mandados também miraram alvos nos municípios de Barreirinhas (MA) e Tutóia (MA). A Justiça também determinou medidas cautelares de quebra de sigilos bancário e fiscal, além do arresto de bens e do bloqueio de valores de investigados.
Parte da Força-Tarefa Previdenciária, a operação Recidiva funciona como desdobramento da Transmissão Fraudulenta, realizada em julho de 2025.
Naquela ação, a PF apurou que contadores de um grupo criminoso eram responsáveis pela "inserção de vínculos empregatícios inexistentes no sistema SEFIP/Conectividade Social — utilizado para a transmissão da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) —, com o objetivo de viabilizar a concessão fraudulenta de benefícios previdenciários".
O foco da ação de hoje foi em intermediários responsáveis por "cooptar os 'clientes'" e advogados "que atuariam para viabilizar a concessão dos benefícios".

Segundo estimativas da Coordenação-Geral de Inteligência da Previdência Social (CGINP), cerca de 50 benefícios concedidos de forma indevida totalizaram o prejuízo de R$ 4,6 milhões.
"A economia projetada com a futura suspensão desses benefícios, considerando a expectativa de sobrevida divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pode atingir valor equivalente", disse a PF, em nota.
Suspeitos podem responder por crimes de estelionato majorado contra o INSS, associação criminosa, falsificação de documento público, falsidade ideológica, falsa identidade, inserção de dados falsos em sistema de informações e lavagem de capitais.









