Chefe da PF vai à Câmara em meio a revelação de conversas entre Flávio e Vorcaro e troca em investigação de Lulinha
Andrei Rodrigues foi convidado pela Comissão de Relações Exteriores a prestar depoimento sobre o caso Ramagem, mas deve ser questionado sobre outros temas

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, confirmou presença em audiência marcada para a próxima quarta-feira (20) na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados.
Inicialmente, Rodrigues foi chamado a dar explicações sobre a detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem pelo ICE, a polícia de imigração dos Estados Unidos, em abril. A comissão é comandada pelo deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), aliado de Ramagem.
O principal objetivo da cúpula do colegiado seria apontar para supostas divergências sobre a versão apresentada pelo governo brasileiro relativa a uma cooperação da PF com o ICE para a detenção de Ramagem.
É esperado, porém, que temas mais recentes também sejam abordados. Um deles diz respeito à troca do delegado que comandava o inquérito sobre as fraudes do INSS, investigação que mira Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula (PT).
Como mostrou o analista Cézar Feitoza, o delegado Guilherme Figueiredo Silva era o chefe da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários da Polícia Federal desde julho de 2025. À frente do caso INSS, foi o autor de documentos que pediram ao Supremo a prisão do "Careca do INSS", das buscas contra o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e das quebras de sigilo de Lulinha.
A oposição tenta pressionar a PF sobre a mudança no caso INSS em meio às revelações, feitas pelo portal Intercept Brasil, de que a corporação tem em mãos mensagens e áudios do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pedindo dinheiro para o banqueiro Daniel Vorcaro.
O objetivo seria obter mais de R$ 130 milhões do dono do Banco Master para custear o filme Dark Horse, que homenageará o ex-presidente Jair Bolsonaro. Produtor-executivo do filme, o deputado Mario Frias (PL-SP) é membro da CRE e foi um dos signatários do pedido de oitiva de Andrei.
A campanha de Flávio reagiu às revelações do Intercept pedindo uma apuração sobre o vazamento das informações mantidas pela PF.
Já a base governista, por outro lado, deve aproveitar a oitiva com Andrei Rodrigues na Câmara para tentar ampliar o desgaste do principal adversário do presidente Lula nas eleições deste ano. Nas redes sociais, o PT vem divulgando as conversas entre Flávio e Vorcaro para retomar a campanha sobre o “Bolsomaster” e tentar vincular o presidenciável ao escândalo.






















































