PF troca delegado de inquérito do INSS, que investiga Lulinha
Pedido de quebra de sigilo contra o filho mais velho do presidente Lula foi feito sob a gestão dele


A Polícia Federal trocou o delegado que comandava o inquérito sobre as fraudes do INSS, responsável pela investigação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula (PT).
A mudança foi explicada ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), durante reunião nesta sexta-feira (15). O encontro ocorreu no gabinete do ministro e demorou cerca de 2 horas.
Guilherme Figueiredo Silva era o chefe da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários da Polícia Federal desde julho de 2025.
Desde que chegou ao cargo, ele assumiu função de destaque nas investigações. Silva foi o autor de documentos que pediram ao Supremo a prisão do "Careca do INSS", das buscas contra o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e das quebras de sigilo de Lulinha.
Era ele quem comandava, ainda, as negociações de colaborações premiadas de alvos da investigação, como o empresário Maurício Camisotti. O investigado chegou a assinar o acordo delação com a PF, mas agora tem sua proposta de colaboração avaliada pela PGR (Procuradoria-Geral da República).
A atuação da PF contra Lulinha vinha causando insatisfação de advogados do filho do ex-presidente e de integrantes do governo Lula.
Nova coordenação
O inquérito sobre as fraudes do INSS corria em uma coordenação subordinada a Guilherme Figueiredo Silva. Desde o último ano, foram deles as principais petições enviadas ao Supremo.
A Polícia Federal decidiu enviar o caso para a Coordenação de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro --- outra área da PF e que não fica sob o guarda-chuva de Silva.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, comunicou a Mendonça sobre a mudança nas investigações sobre o INSS em 8 de maio, em manifestação por escrito. Nesta sexta, a equipe envolvida na investigação participou de reunião presencial com o ministro.
A explicação dada pela Polícia Federal ao ministro do Supremo foi a necessidade de reforçar a equipe responsável pelas investigações que correm no STF diante da proximidade com as eleições gerais de outubro.
A corporação também argumenta que o local correto de tramitação de investigações contra autoridades com foro especial é a Coordenação de Repressão à Corrupção.
Toda a equipe que conduzia a investigação do INSS mudou de uma coordenação para a outra ---exceto Silva. Procurada, a Polícia Federal não se manifestou.
Reação
O senador Carlos Viana (PSD-MG), que presidiu a CPMI do INSS, criticou a decisão e disse que encaminhou ofício à direção da PF "cobrando explicações" sobre a troca de delegado.
"Trocar o delegado responsável pelo caso em um momento tão sensível exige transparência absoluta e respostas claras à sociedade", escreveu nas redes sociais.















