Política

Lula lamenta morte do sambista Noca da Portela: “Sempre sonhou com um Brasil mais justo”

Eterno compositor morreu no domingo (17) aos 93 anos; também foi ativista e militante durante o período da ditadura militar

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Ighor Nóbrega
18/05/2026, 12:47 • Atualizado em 18/05/2026, 12:47
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O sambista e compositor Noca da Portela morreu aos 93 anos | Reprodução/Portela

O sambista e compositor Noca da Portela morreu aos 93 anos | Reprodução/Portela

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lamentou nesta segunda-feira (18) a morte do sambista e compositor Noca da Portela, integrante histórico da ala de compositores da Escola de Samba Portela.

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Noca morreu no domingo (17), aos 93 anos, depois de contrair uma pneumonia. Ele estava internado no Rio de Janeiro desde 30 de abril, inicialmente para tratar de uma infecção urinária. Deixa dois filhos, sete netos e três bisnetos.

Lula enalteceu o talento de Noca e lembrou da atuação política a favor da redemocratização e das Diretas Já.

“Perdemos ontem o grande Noca da Portela, compositor de vários sambas-enredo que sua escola levou para a avenida e de canções gravadas por alguns de nossos maiores artistas. Homem de muita poesia e de muita luta, sempre sonhou com um Brasil mais justo. Sua composição “Virada” se tornou, na voz de Beth Carvalho, parte da trilha sonora do movimento pela redemocratização e dos comícios das Diretas Já no início dos anos 1980”, publicou Lula em seu perfil no X.

“Noca dizia em sua canção “Peregrino” que o samba é uma eterna semente solta pelo ar, fecundando de felicidade por onde for. E estou certo de que as sementes que ele lançou em vida têm também esse destino: seguirão voando livres, encantando quem teve a alegria de conviver com esse grande artista brasileiro e todos que seguirão ouvindo os seus belos sambas”, completou o presidente.

Nascido Osvaldo Alves Pereira, Noca ganhou o apelido ainda na infância. Filho de um marinheiro e professor de violão, foi morar no Rio de Janeiro ainda criança. Foi feirante, mas depois se dedicou à música.

Chegou à Portela em 1960. Como sambista da escola de samba, venceu sete vezes a disputa de samba-enredo e conquistou duas vezes o prêmio Estandarte de Ouro, em 1995 e 1998. Ao longo de quase sete décadas, viu oito títulos da Portela no Carnaval do Rio, o último deles em 2017.

Em nota, a agremiação disse que Noca deixa um legado de amor à música brasileira e ao samba:

“O G.R.E.S. Portela lamenta, com profundo pesar, o falecimento do cantor, compositor e instrumentista Noca da Portela, um dos grandes nomes da nossa história. [...] Integrante da Velha Guarda Show da Portela, Noca construiu uma obra com centenas de sambas e se tornou uma das personalidades mais respeitadas do Carnaval carioca. Neste momento de dor, a Portela se solidariza com familiares, amigos, parceiros de composição, admiradores e toda a comunidade do samba”, disse a Portela em nota.

Além da Portela, Noca também compôs músicas para artistas consagrados como Beth Carvalho, Paulinho da Viola, Clara Nunes, Seu Jorge, Martinho da Vila, Elza Soares e Maria Bethânia.

Fora da música, foi ativista e militante. Foi filiado ao Partido Comunista Brasileiro por cerca de 40 anos e concorreu à Câmara Municipal do Rio pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) em 2008. Em 2006, foi secretário de Cultura do Estado do Rio de Janeiro no governo de Rosinha Garotinho.

O velório de Noca da Portela será realizado nesta terça-feira (19), na quadra da Portela, na Zona Norte do Rio. A cerimônia será aberta ao público, das 8h às 14h.

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