Empresa que teria bancado filme de Bolsonaro fez transação de R$ 203 milhões com o Master, diz Coaf
Transação ocorreu em 2024; Flávio disse ter conversado com Vorcaro sobre o financiamento neste mesmo ano


Eduardo Gayer
Valentina Moreira
A Entre Investimentos, empresa que teria bancado um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e o Master movimentaram R$ 203 milhões em um único dia, em 19 de agosto de 2024. A informação consta do Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do banco de Daniel Vorcaro, produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e obtido pelo SBT News.
O site Intercept Brasil revelou que o senador Flávio Bolsonaro pediu dinheiro ao banqueiro, supostamente para financiar o longa-metragem “Dark Horse”. De acordo com o parlamentar, os dois se conheceram em dezembro de 2024, mesmo ano da transação financeira envolvendo o Master e a Entre Investimentos.
“O contato ocorreu em 2024 quando os fatos hoje atribuídos a Vorcaro não eram conhecidos publicamente”, afirmou, em nota oficial, o pré-candidato à Presidência da República, sobre sua relação com Vorcaro. Em coletiva de imprensa nesta sexta (15), questionado sobre o financiamento do filme, Flávio afirmou não ter “que justificar nada para ninguém”.
A movimentação milionária da Entre com o Master é descrita no documento do Coaf como uma “transferência de bens imóveis de qualquer valor, de cotas ou participações societárias”. Não há detalhes sobre o fluxo, ou seja, quem pagou e quem recebeu o valor milionário.
Também não há informações se o dinheiro teria sido posteriormente transferido para o fundo Havengate, no Texas (EUA). De acordo com Flávio, esse fundo foi criado para viabilizar a produção do longa-metragem “Dark Horse” e está sob a gestão de Paulo Calixto, advogado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio.
O produtor-executivo do filme, o deputado federal Mário Frias (PL-RJ), confirmou que a Entre foi a pessoa jurídica que repassou o dinheiro para a produção. A empresa faz parte do grupo da Entrepay, fintech investigada por seus vínculos com o Banco Master e que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em 27 de março de 2026.
O Grupo Entre já era mapeado pela PF como suposta parte da teia financeira do Master, que envolvia uma série de firmas e fundos de investimentos para supostamente dificultar o rastreio dos recursos, antes mesmo de o áudio de Flávio e Vorcaro vir à tona.
Procurada, a Entre Investimentos não detalhou a movimentação financeira com o Master ou com o Havengate. “O Grupo Entre não exerce qualquer função de gestão ou administração fiduciária no Havengate Development Fund LP. O Grupo Entre realiza suas operações em conformidade com as normas e regulamentações aplicáveis ao setor financeiro. A empresa reforça seu compromisso com a integridade, a transparência e o cumprimento da legislação vigente, permanecendo à disposição das autoridades competentes sempre que necessário”, disse em nota.
A defesa de Daniel Vorcaro, dono do Master, não se manifestou até o momento.









