Política

Sóstenes justifica custo de filme sobre Bolsonaro com pesquisa em IA: "está abaixo da média"

Financiamento de 'Dark Horse' está no centro da crise que envolve a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro; Daniel Vorcaro pagou R$ 61 milhões para produção

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Na tentativa de justificar os custos da produção do filme que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o líder do Partido Liberal na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, disse nesta sexta-feira (15) que o valor está "abaixo da média das produções de Hollywood". O deputado citou como fonte de informação pesquisas feitas em ferramentas de inteligência artificial.

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"Nós temos várias fontes de informação, uma delas é a IA. Você coloca no Google, a IA te responde quanto custa a produção de um filme em Hollywood. Eu fui pesquisar. A média das últimas produções em Hollywood dá 39 milhões de dólares. O filme do presidente Bolsonaro, que é feito em Hollywood, padrão Hollywood, foi orçado inicialmente em 22 milhões. Terminou custando 16 milhões, então está abaixo da média do que é a produção de um filme nos Estados Unidos", afirmou.

O financiamento do longa "Dark Horse" está no centro da crise que envolve a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O site Intercept Brasil revelou na quarta-feira (13) um áudio em que o senador pede dinheiro a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para apoiar a produção.

O banqueiro negociou com Flávio um financiamento de US$ 24 milhões (R$ 134 milhões à época) para a obra. Ao menos R$ 61 milhões foram efetivamente pagos entre fevereiro e maio de 2025, segundo o Intercept.

O valor supera o orçamento dos dois últimos longas brasileiros que representaram o país no Oscar. "Ainda Estou Aqui", de Walter Salles, vencedor da categoria de melhor filme internacional no Oscar de 2025, foi orçado em R$ 45 milhões. Já o valor para filmar "O Agente Secreto", que representou o Brasil na premiação este ano, foi ainda menor: R$ 28 milhões.

O custo final citado por Sóstenes ultrapassa até mesmo o de grandes produções norte-americanas, como o ganhador do Oscar de melhor filme em 2025, "Anora" – que teve um orçamento de produção de US$ 6 milhões. O ganhador da categoria em 2026, "Uma Batalha Após a Outra" – estrelado por Leonardo DiCaprio e Sean Penn –, é estimado entre US$ 130 milhões e US$ 175 milhões.

Flávio "precisava cobrar parcelas"

Sóstenes aproveitou para defender o filho mais velho de Bolsonaro, afirmando que a relação de Flávio com Vorcaro era de alguém que "precisava cobrar parcelas" de quem fez investimentos no filme do pai.

Também nesta sexta, Flávio declarou que não fez "nada de errado" e que Vorcaro era uma pessoa "cortejada" quando foi procurado para investir na obra. Apesar disso, o senador manteve contato com o banqueiro sobre a doação depois da revelação sobre as suspeitas de irregularidades no acordo de venda do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB).

Ao SBT News, o líder do PL na Câmara destacou que acredita que os áudios foram vazados "premeditadamente", com foco eleitoral. Segundo ele, Flávio tem despontado nas pesquisas e isso assusta o atual governo.

O Intercept não divulgou como obteve as trocas de mensagens e áudios divulgados pela reportagem. Na quarta, Flávio admitiu que pediu dinheiro para Vorcaro para bancar o filme, mas afirmou que não ofereceu vantagens em troca e "não promoveu encontros privados fora da agenda".

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