Marcela Mattos
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Coluna da Marcela

Pós-graduada em Relações Governamentais, Marcela Mattos construiu a carreira na cobertura política. Trabalhou na Revista Veja, acompanhando o Congresso Nacional e o poder em Brasília, além de passar pelo g1, TV Globo e Correio Braziliense.

Política

Senador ameaça candidatura à revelia do PL e amplia divisão da direita em Minas Gerais

Cleitinho, do Republicanos, lidera pesquisas de intenção de votos e diz mergulhar em candidatura independente se não tiver apoio do partido de Flávio Bolsonaro

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Senador Cleitinho (Republicanos-MG) | Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
Marcela Mattos

Considerado um estado-chave nas eleições presidenciais, Minas Gerais ainda não tem um palanque consolidado para o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) e passa por uma proliferação de candidaturas de direita que vem gerando embates internos dentro do grupo político.

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Nesta terça-feira (31), o PL anunciou a filiação do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe. Interlocutores da legenda ainda não confirmam que o empresário será alçado ao governo de Minas, mas ressaltam que ele atuará como uma espécie de “reserva” no banco até a definição das chapas.

A possível entrada de Roscoe na corrida eleitoral embaralha ainda mais a disputa mineira. Apontado nas pesquisas na liderança das intenções de voto, o senador Cleitinho (Republicanos) ainda enfrenta resistência dentro do PL, que busca alternativas ao nome dele.

Segundo Cleitinho, já foram feitos diversos gestos à legenda e, agora, ele trabalha com a possibilidade de disputar mesmo sem o aval do partido.

“Se eles quiserem, que me procurem. Já falei que apoio o Flávio e que estou à disposição para conversar. Lidero as pesquisas com 40%. O que mais eu tenho que fazer? Se quiser vir, ótimo. E, se não, eu vou sozinho”, disse o senador ao SBT News.

Cleitinho acrescentou que já teve tratativas com os principais articuladores do partido, entre eles o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o senador Rogério Marinho (PL-RN), mas não obteve uma resposta definitiva. “Deixa eles analisando. Eu tenho maturidade para entender que está tudo certo. Eu vou independente, não tenho nada a perder”, acrescentou o senador, que está no meio do mandato. A decisão final, acrescenta, deve sair até junho.

Integrantes do PL admitem que, embora no topo das pesquisas, o nome de Cleitinho enfrenta resistências porque há dúvidas quanto à capacidade dele de ser um bom gestor.

Nos bastidores, membros do partido contam com o avanço das investigações sobre as fraudes do INSS para demover Cleitinho de uma corrida por fora. O presidente do Republicanos em Minas Gerais, deputado Euclydes Pettersen, foi alvo de operação da Polícia Federal sob a suspeita de receber propina do esquema.

Pettersen é apontado como um dos principais braços-direitos de Cleitinho e, na avaliação de aliados de Flávio, a vinculação pode acabar atingindo a campanha. O deputado nega as acusações e se diz à disposição para prestar os esclarecimentos à investigação.

Originalmente, o plano do PL era apoiar a candidatura de Mateus Simões (PSD), que assumiu o governo mineiro na última semana após a saída de Romeu Zema (Novo) para disputar a Presidência. Simões já indicou que caminhará com Zema, o que força o PL a buscar um outro palanque para Flávio.

O partido chegou a considerar lançar Nikolas Ferreira como candidato, mas ele não topou a empreitada. No lugar, o deputado passou a coordenar as principais articulações sobre a candidatura ao governo de Minas Gerais.

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