Senador ameaça candidatura à revelia do PL e amplia divisão da direita em Minas Gerais
Cleitinho, do Republicanos, lidera pesquisas de intenção de votos e diz mergulhar em candidatura independente se não tiver apoio do partido de Flávio Bolsonaro

Considerado um estado-chave nas eleições presidenciais, Minas Gerais ainda não tem um palanque consolidado para o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) e passa por uma proliferação de candidaturas de direita que vem gerando embates internos dentro do grupo político.
Nesta terça-feira (31), o PL anunciou a filiação do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe. Interlocutores da legenda ainda não confirmam que o empresário será alçado ao governo de Minas, mas ressaltam que ele atuará como uma espécie de “reserva” no banco até a definição das chapas.
A possível entrada de Roscoe na corrida eleitoral embaralha ainda mais a disputa mineira. Apontado nas pesquisas na liderança das intenções de voto, o senador Cleitinho (Republicanos) ainda enfrenta resistência dentro do PL, que busca alternativas ao nome dele.
Segundo Cleitinho, já foram feitos diversos gestos à legenda e, agora, ele trabalha com a possibilidade de disputar mesmo sem o aval do partido.
“Se eles quiserem, que me procurem. Já falei que apoio o Flávio e que estou à disposição para conversar. Lidero as pesquisas com 40%. O que mais eu tenho que fazer? Se quiser vir, ótimo. E, se não, eu vou sozinho”, disse o senador ao SBT News.
Cleitinho acrescentou que já teve tratativas com os principais articuladores do partido, entre eles o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o senador Rogério Marinho (PL-RN), mas não obteve uma resposta definitiva. “Deixa eles analisando. Eu tenho maturidade para entender que está tudo certo. Eu vou independente, não tenho nada a perder”, acrescentou o senador, que está no meio do mandato. A decisão final, acrescenta, deve sair até junho.
Integrantes do PL admitem que, embora no topo das pesquisas, o nome de Cleitinho enfrenta resistências porque há dúvidas quanto à capacidade dele de ser um bom gestor.
Nos bastidores, membros do partido contam com o avanço das investigações sobre as fraudes do INSS para demover Cleitinho de uma corrida por fora. O presidente do Republicanos em Minas Gerais, deputado Euclydes Pettersen, foi alvo de operação da Polícia Federal sob a suspeita de receber propina do esquema.
Pettersen é apontado como um dos principais braços-direitos de Cleitinho e, na avaliação de aliados de Flávio, a vinculação pode acabar atingindo a campanha. O deputado nega as acusações e se diz à disposição para prestar os esclarecimentos à investigação.
Originalmente, o plano do PL era apoiar a candidatura de Mateus Simões (PSD), que assumiu o governo mineiro na última semana após a saída de Romeu Zema (Novo) para disputar a Presidência. Simões já indicou que caminhará com Zema, o que força o PL a buscar um outro palanque para Flávio.
O partido chegou a considerar lançar Nikolas Ferreira como candidato, mas ele não topou a empreitada. No lugar, o deputado passou a coordenar as principais articulações sobre a candidatura ao governo de Minas Gerais.





































































