Após Petro, Lula conversa com presidente do México e premiê do Canadá sobre Venezuela
Líderes reforçaram que ataque norte-americano abre precedente extremamente perigoso para a segurança regional e pediram diálogo


Camila Stucaluc
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone, na quinta-feira (8), com três líderes internacionais sobre a situação na Venezuela. O primeiro telefonema foi feito ao presidente colombiano Gustavo Petro, seguido da presidente do México, Claudia Sheinbaum, e do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.
Nas conversas, os líderes abordaram o ataque dos Estados Unidos à Caracas e a captura do ditador Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores — ambos realizados na madrugada do último sábado (3). No caso de Petro, o colombiano avaliou que a ação abre um precedente extremamente perigoso para a paz e segurança regional, bem como para a ordem internacional.
O mesmo foi dito por Claudia, que repudiou os ataques contra a soberania venezuelana. Com Lula, ela rejeitou qualquer visão que possa implicar na divisão ultrapassada do mundo em zonas de influência e reiterou a defesa do multilateralismo, do direito internacional e do livre-comércio. Defendeu, ainda, que a situação seja resolvida através do diálogo.
As impressões foram similares às de Carney. O premiê canadense condenou o uso da força pelos Estados Unidos, que não teve amparo na Carta das Nações Unidas ou no direito internacional. No telefonema, Lula destacou que o destino da Venezuela deve ser decidido soberanamente por seu povo e que a América do Sul deve continuar sendo uma zona de paz.
Segundo fontes do Planalto, Lula ainda pretende ligar para a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A iniciativa busca manter canais de diálogo abertos com os dois governos em um momento de instabilidade regional. Além disso, no caso de Trump, o presidente ainda aproveitaria a oportunidade para tratar de demandas econômicas.
Entenda
Os Estados Unidos lançaram um ataque no último sábado (3) contra Caracas, que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Eles foram levados por um helicóptero até o Iwo Jima, um dos navios de guerra da Marinha norte-americana que estavam posicionados no mar do Caribe, de onde seguiram para Nova York.
A captura ocorreu após quatro meses de tensão militar entre Venezuela e Estados Unidos. Em setembro do ano passado, Washington iniciou uma operação naval contra o narcotráfico no Caribe e no Pacífico, perto das costas da Venezuela e da Colômbia. O país acusa o líder chavista de comandar cartéis latino-americanos que transportam drogas para o território norte-americano.
Na segunda-feira (5), Maduro foi apresentado à Justiça. Ele foi acusado de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, e conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos explosivos contra os Estados Unidos — crimes dos quais se declarou inocente.
Outras cinco pessoas foram indiciadas no mesmo processo, incluindo Flores e Nicolás Ernesto Maduro Guerra, conhecido como ‘Nicolasito’, filho único do casal. A lista também conta com o Ministro do Interior, Justiça e Paz da Venezuela, Diosdado Cabello, o ex-ministro Ramón Rodríguez Chacín, da mesma pasta, e Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como "Niño Guerrero".
Na terça-feira (6), o governo norte-americano recuou da acusação de que Maduro lideraria uma organização criminosa chamada 'Cartel de los Soles' e passou a reconhecer que o termo não se refere a um cartel real. No lugar, a administração afirmou que a expressão descreve um "sistema de patronagem" e uma "cultura de corrupção" dentro do Estado venezuelano, alimentada por recursos do narcotráfico.
Em relação à Venezuela, a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, tomou posse como presidente interina, enquanto a oposição pede que Edmundo González Urrutia, candidato que reivindica a vitória na eleição presidencial de 2024, assuma a presidência.
Ao mesmo tempo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que um grupo de autoridades norte-americanas ficará responsável por administrar Caracas até uma transição pacífica de poder e pressionou o governo venezuelano a cooperar. Em meio a isso, ainda ameaçou realizar operações similares na Colômbia e no México, além de voltar a comentar sobre uma possível anexação da Groenlândia.









