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Maduro diz à Justiça que foi sequestrado e que é inocente; veja detalhes da audiência

Ditador foi capturado pelos EUA e é acusado de narcoterrorismo

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Em audiência à Justiça dos Estados Unidos, Nicolás Maduro se disse inocente e que foi sequestrado pelo governo dos Estados Unidos. "Sou inocente. Não sou culpado. Sou um homem decente", disse Maduro por meio de um intérprete, antes de ser interrompido pelo juiz distrital americano Alvin Hellerstein.

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A esposa de Maduro, Cilia Flores, também se declarou inocente. A próxima audiência foi marcada para 17 de março. Dezenas de manifestantes, tanto pró quanto contra Maduro, se reuniram em frente ao tribunal antes da audiência de meia hora.

Maduro é acusado de chefiar uma rede de tráfico de cocaína que tinha parcerias com os cartéis mexicanos de Sinaloa e Los Zetas, os rebeldes colombianos das Farc e o grupo venezuelano Tren de Aragua.

Maduro nega veementemente as acusações e afirma que a ação de Trump tem como interesse o petróleo da Venezuela.

Trump não escondeu o desejo de participar das riquezas petrolíferas do país da América do Sul. As ações das companhias petrolíferas americanas dispararam na segunda-feira, impulsionadas pela perspectiva de acesso às suas vastas reservas.

Na manhã desta segunda-feira, Maduro - com as mãos presas - e sua esposa foram escoltados por guardas armados com equipamento tático de um centro de detenção no Brooklyn até um helicóptero com destino ao tribunal federal de Manhattan, em Nova York.

Como foi a audiência

O juiz iniciou a audiência resumindo as acusações da denúncia. Maduro, vestindo uniforme de presidiário laranja e bege, ouviu tudo por meio de fones de ouvido e um intérprete.

Hellerstein pediu a Maduro que se levantasse e confirmasse sua identidade. Ele respondeu em espanhol.

O juiz informou ao casal sobre seu direito de comunicar suas prisões ao consulado venezuelano.

Os promotores afirmam que Maduro está envolvido com o narcotráfico desde que começou a atuar na Assembleia Nacional da Venezuela, em 2000, passando pelo seu mandato como ministro das Relações Exteriores até a sua subsequente eleição, em 2013, como sucessor do falecido presidente Hugo Chávez.

O advogado de Maduro, Barry Pollack, disse que previa um litígio volumoso e complexo sobre o que chamou de "sequestro militar" de seu cliente. Ele afirmou que Maduro não estava solicitando sua libertação, mas poderia fazê-lo posteriormente.

O advogado de Flores, Mark Donnelly, disse que ela sofreu ferimentos graves, incluindo hematomas severos nas costelas, e pediu que lhe fossem fornecidos raios-X e uma avaliação física.

Procuradores federais de Nova York indiciaram Maduro pela primeira vez em 2020 como parte de um caso de tráfico de drogas de longa data contra autoridades venezuelanas e guerrilheiros colombianos, tanto atuais quanto antigos. Uma acusação atualizada, tornada pública no sábado, acrescentou novos detalhes e corréus, entre eles Cilia Flores.

Os Estados Unidos consideram Maduro um ditador ilegítimo desde que ele declarou vitória nas eleições de 2018, marcadas por alegações de irregularidades em massa.

Especialistas em direito internacional questionaram a legalidade da operação, e alguns condenaram as ações de Trump como uma rejeição à ordem internacional baseada em regras.

Maduro está detido no Centro de Detenção Metropolitano (MDC, na sigla em inglês) do Brooklyn, em Nova York. O local abriga presos de alta periculosidade e é conhecido pelo rigor nas regras de segurança e condições precárias.

Crimes atribuídos a Maduro

  • Conspiração para narcoterrorismo
  • Conspiração para importação de cocaína
  • Posse de metralhadoras e dispositivos explosivos
  • Conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos explosivos contra os EUA.

Esposa, filho e integrantes do governo

Além do ditador e da esposa, foram indiciados na mesma ação o filho do ditador, "Nicolasito", e três integrantes do governo desmantelado de Maduro.

São eles o Ministro do Interior, Justiça e Paz da Venezuela, Diosdado Cabello, o ex-ministro Ramón Rodríguez Chacín, da mesma pasta, e Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como "Niño Guerrero". Este último é considerado pelo governo Trump o principal líder do grupo criminoso venezuelano Tren de Aragua.

As medidas foram divulgadas em ação assinada pelo procurador Jay Clayton e divulgada pelo Departamento de Justiça dos EUA.

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