Senado dos EUA avança projeto para limitar poder de Trump em ações militares na Venezuela
Resolução teve aprovação apertada e exige autorização do Congresso para novas operações militares, ampliando tensão entre Casa Branca e parlamentares


Vicklin Moraes
O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira (8) uma resolução que impediria o presidente Donald Trump de adotar novas medidas militares contra a Venezuela sem autorização do Congresso. A decisão, de caráter processual, abre caminho para uma análise mais aprofundada na Casa legislativa de 100 membros. A votação terminou com 52 votos favoráveis e 47 contrários.
Cinco senadores republicanos se uniram a 47 democratas para aprovar a moção que encaminha a resolução para votação no plenário do Senado. A deliberação ocorre dias após uma ação militar realizada em território venezuelano que resultou na prisão do ditador Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
A expectativa é que a proposta completa seja votada na próxima semana, quando serão necessários 51 votos para sua aprovação no Senado. Ainda assim, o texto deverá passar por um processo integral de emendas, e o apoio à versão final da resolução não está assegurado.
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos também deve votar ainda neste mês uma medida semelhante, que limita os poderes de Trump para intervir militarmente na Venezuela, após pressão de democratas da Casa. Caso seja aprovada, as duas Casas legislativas precisarão unificar seus textos antes do envio de um documento final para a mesa do presidente.
Durante a sessão, o líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, criticou a ação militar e alertou para os custos históricos de intervenções externas promovidas pelos Estados Unidos.
"Como o povo americano pode assistir a isso sem simplesmente gemer, fazer caretas, sentir dor e medo quando tentamos esse tipo de reconstrução nacional? Quando os Estados Unidos tentaram esse tipo de substituição de regime no passado, o povo americano pagou o preço com recursos e com sangue", afirmou.
Já o senador republicano de Idaho, Mike Crapo, declarou que não existem provas de que Trump esteja atualmente usando as Forças Armadas contra a Venezuela.
"Ninguém tem informações de que o presidente esteja usando as Forças Armadas contra a Venezuela. Ele as utilizou por cerca de 47 minutos no último fim de semana, mas não está em processo de fazê-lo. A resolução diz que ele deveria parar, mas ele não está fazendo isso. Se o texto dissesse que o presidente não poderia mais agir dessa forma, isso teria algum efeito ou tentaria ter algum efeito, embora fosse inconstitucional e inexequível. Dizer a ele para parar algo que não está acontecendo é um absurdo. O único efeito possível é político, sem qualquer impacto prático", declarou.







