CEO da Enel diz que "só Jesus" resolve apagões em São Paulo
Flavio Cattaneo afirma que tempestades e queda de árvores sobre rede aérea tornam "impossível" evitar falta de energia; Aneel avalia caducidade da concessão



Emanuelle Menezes
com informações da Reuters
O CEO global da Enel, Flavio Cattaneo, afirmou nesta segunda-feira (23), em Milão, que a queda de árvores sobre a rede elétrica em São Paulo torna "humanamente impossível" evitar apagões na capital paulista. Segundo ele, nas condições atuais, "só Jesus Cristo" seria capaz de impedir a falta de energia.
A declaração foi feita durante a apresentação do novo plano estratégico da companhia italiana para investidores.
"Se eles continuarem com esse tipo de árvores, só uma pessoa será capaz de lidar com isso, e não é um ser humano; é Jesus Cristo", disse o executivo.
Cattaneo destacou que a rede de distribuição em São Paulo é majoritariamente aérea e que os cabos passam "dentro das árvores", o que amplia os danos durante tempestades.
Segundo ele, eventos climáticos extremos – cada vez mais frequentes – tornam o restabelecimento da energia mais complexo. "Não se trata apenas de um problema da Enel", afirmou.
Nos últimos anos, a Região Metropolitana de São Paulo tem enfrentado sucessivos apagões após fortes ventos e temporais. Em dezembro de 2025, um vendaval deixou 4,4 milhões de consumidores sem energia, número posteriormente admitido pela própria concessionária à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) – o dobro do divulgado inicialmente durante a crise.
Em novembro de 2023, outro evento climático deixou mais de 2 milhões de clientes sem luz por quase uma semana.
Aneel avalia possível caducidade
As declarações do CEO ocorrem enquanto a Aneel analisa a eventual caducidade da concessão da Enel em São Paulo. O processo, iniciado em novembro do ano passado, foi ampliado para incluir o grande apagão de dezembro de 2025.
Nesta terça-feira (24), a diretoria da agência deve avaliar um pedido de mais 60 dias para conclusão do voto-vista do diretor Gentil Nogueira. O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, já se manifestou contra a prorrogação, defendendo decisão "em caráter de urgência urgentíssima".
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, também tem pressionado por uma definição sobre o caso.
Enel diz que melhorou qualidade do serviço
Durante o evento em Milão, Cattaneo afirmou que a Enel recuperou 50% da qualidade do serviço em São Paulo no último ano. Segundo ele, o Tempo Médio de Atendimento (TMA) caiu de 832 minutos em 2023 para 434 minutos em 2024.
A empresa atende cerca de 8,5 milhões de consumidores na capital e em outros 23 municípios da Grande São Paulo.









