Representantes do Líbano e de Israel se reúnem nos EUA para discutir cessar-fogo
Fim das hostilidades com entre Tel Aviv e Hezbollah é um dos principais pontos para paz no Oriente Médio; entenda


Camila Stucaluc
Autoridades de Israel e do Líbano se reúnem nesta terça-feira (14), nos Estados Unidos, para debater um possível acordo de cessar-fogo. O encontro foi marcado após o governo israelense exigir negociações diretas com Beirute, recusando-se a dialogar com o Hezbollah — grupo paramilitar com sede no país.
Israel e Hezbollah voltaram a trocar hostilidades no início de março, encerrando o cessar-fogo firmado em novembro de 2024. Os ataques começaram após o grupo, aliado do regime iraniano, lançar drones contra Tel Aviv em retaliação à operação coordenada entre Israel e Estados Unidos em Teerã, iniciada em 28 de fevereiro.
Desde então, as tropas israelenses atuam em todo o Líbano, incluindo na capital, Beirute. Além dos ataques aéreos, os militares avançam por terra no sul do país, visando expandir a zona de segurança. Ao todo, a ofensiva israelense já deixou mais de 2 mil mortos, além de 6,7 mil feridos, segundo dados do Ministério da Saúde local.
O encontro de hoje é um dos principais passos para destravar as negociações de paz entre Estados Unidos e Irã, que aceitaram um cessar-fogo de 14 dias na última semana. Isso porque o Irã acusa Israel de violar a trégua ao continuar atacando o Hezbollah no Líbano, país que, segundo o regime, foi incluído no acordo. Tel Aviv e Washington, por sua vez, negam que Beirute faça parte do cessar-fogo.
Apesar da retomada da diplomacia soar positiva, o chefe do Hezbollah, Naim Qassem, classificou a reunião como “inútil”, afirmando que o grupo continuará confrontando os ataques israelenses no Líbano. O mesmo foi dito por Wafiq Safa, membro de alto escalão do conselho político do Hezbollah, que frisou que o grupo não cumprirá nenhum acordo firmado por Israel e Líbano.
"Quanto aos resultados dessa negociação entre o Líbano e o inimigo israelense, não estamos interessados nem preocupados com eles", disse Safa à Associated Press. “Não estamos vinculados ao que eles concordam”, acrescentou.
Na última semana, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, havia dito que as negociações se concentrariam no desarmamento do Hezbollah e no estabelecimento de relações pacíficas entre Israel e o Líbano.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".
As hostilidades entre Irã e Estados Unidos ainda escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, pressionando a economia.









