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Israel diz ter matado ministro da inteligência do Irã

Ministro afirmou que esconderijo de Esmail Khatib, em Teerã, foi atingido por um ataque aéreo; Teerã ainda não se pronunciou

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Camila Stucaluc
18/03/2026, 11:12 • Atualizado em 18/03/2026, 11:12
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Ministro da Inteligência do Irã, Esmail Khatib | Reprodução/Flickr

Ministro da Inteligência do Irã, Esmail Khatib | Reprodução/Flickr

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou nesta quarta-feira (18) que o ministro da Inteligência do Irã, Esmail Khatib, foi morto em um ataque aéreo em Teerã. O bombardeio, segundo ele, ocorreu contra o esconderijo de Khatib, na noite de terça-feira (17).

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"A intensidade dos ataques no Irã está aumentando. O ministro da inteligência iraniano foi eliminado da noite para o dia. Surpresas significativas são esperadas em todos os cenários que vão intensificar a guerra contra o Irã e o Hezbollah no Líbano”, disse o ministro, em comunicado citado pela mídia israelense.

Katz ressaltou ainda que deu aval, ao lado do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, para que as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) “eliminem qualquer figura iraniana de alto escalão, sem necessidade de aprovação adicional”. O objetivo é desestabilizar o regime político no país.

A morte de Khatib ainda não foi confirmada pelo Irã. O anúncio israelense ocorre em meio ao funeral dos oficiais mortos em bombardeios aéreos entre segunda (16) e terça-feira (17). Entre eles estão Ali Larijani, chefe de segurança e braço direito do falecido líder supremo Ali Khamenei, e Gholamreza Soleimani, chefe da força paramilitar Basij, aliado do regime.

O Exército iraniano prometeu vingança pela morte de Larijani, dizendo que "o sangue deste mártir e de outros seriam vingados”. Mais cedo, as tropas lançaram uma nova onda de ataques com mísseis e drones contra Israel.

Os Estados Unidos também foram ameaçados pelo regime iraniano. Apesar de não estar envolvido na morte de Larijani, Washington atua em cooperação com Israel no conflito contra o Irã. À agência Tasnim., Ali Abdollahi, comandante do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya do Irã, afirmou que o presidente Donald Trump “deve esperar surpresas” em um ataque “mais devastador do que imagina”.

“Não vão nos desestabilizar”

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que Estados Unidos e Israel não conseguirão desestabilizar o sistema político de Teerã com bombardeios. Em entrevista ao jornal Al Jazeera, o diplomata afirmou que “a presença ou ausência de um único indivíduo não afeta essa estrutura”.

“Não sei por que os americanos e os israelenses ainda não entenderam este ponto: a República Islâmica do Irã possui uma estrutura política forte, com instituições políticas, econômicas e sociais estabelecidas. A presença ou ausência de um único indivíduo não afeta essa estrutura”, disse Abbas Araqchi. “Se o ministro das Relações Exteriores viesse a ser morto, inevitavelmente haveria outra pessoa para ocupar o cargo", acrescentou.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.

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