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Irã retalia ataque dos EUA e mira bases militares no Golfo

Mísseis e drones foram reportados no Bahrein e no Kuwait; troca de hostilidades violam cessar-fogo

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Camila Stucaluc
09/07/2026, 06:01 • Atualizado em 09/07/2026, 06:01
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Irã retalia ataque dos EUA e mira bases militares no Golfo | Reuters

Irã retalia ataque dos EUA e mira bases militares no Golfo | Reuters

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) lançou, nesta quinta-feira (9), novos ataques aéreos contra bases militares dos Estados Unidos no Golfo Pérsico. A ofensiva ocorreu em retaliação aos bombardeios norte-americanos no sul do país, na noite anterior.

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Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom, na sigla em inglês), foram atacados cerca de 90 alvos iranianos, incluindo defesa aérea, depósitos de mísseis e drones e capacidades navais. Em retaliação, Teerã lançou mísseis e drones contra bases norte-americanas no Bahrein e no Kuwait.

No Bahrein, sirenes de alerta de ameaça foram acionadas. Já no Kuwait, mísseis de defesa foram mobilizados para neutralizar os ataques. Em nota, o Exército orientou os moradores a se abrigarem em lugares seguros e a não se aproximarem de locais de estilhaços resultantes das operações de interceptação. “Se as explosões forem ouvidas, são resultado de sistemas de defesa”, disse.

Esse é o segundo dia consecutivo de ataques entre Estados Unidos e Irã. A troca de hostilidades começou na noite de terça-feira (7), após Washington bombardear o sul do Irã em retaliação ao que chamou de “ofensiva iraniana” contra três petroleiros que navegavam pelo Estreito de Ormuz.

Os ataques colocam em xeque o memorando de entendimento assinado pelos países em junho, que estipulou 60 dias de cessar-fogo para as delegações avançarem nas negociações para um acordo definitivo. Na quarta-feira (8), o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a trégua havia acabado.

Além do impacto militar, a escalada no Estreito de Ormuz já afeta diretamente o mercado global de energia, pressionando os preços do petróleo. Após os primeiros ataques, o preço do Brent subiu para US$ 78,01 o barril, um aumento de 5,19%. Pouco antes, a alta chegou a ultrapassar os 6%.

Novas ameaças

Trump alertou o Irã que os ataques de retaliação "ficarão muito piores" caso o país ataque novos navios no Estreito de Ormuz. Segundo ele, cada vez que atingir os Estados Unidos, Teerã será “atingido 20 vezes”.

"Nós acabamos de atingi-los com muita força. E eu diria que os atingimos em uma proporção de 20 para 1. Cada vez que eles nos atingirem, nós vamos atingi-los 20 vezes. E foi isso o que fizemos. Eles [Irã] fizeram algo pequeno hoje, mas foi realmente uma retaliação pelo que aconteceu ontem”, disse o presidente.

A ameaça não foi bem recebida pelo presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, Mohammad Bagher Ghalibaf, que acusou Washington de violar o cessar-fogo.

“A América ainda não aprendeu que bullying e quebrar promessas não são mais gratuitos. Deixe-me ser claro: se você bater, vai ser atingido. Não se debata inutilmente, ou você afundará ainda mais: o Estreito de Ormuz só começará com "arranjos iranianos", não com ameaças americanas”, escreveu.

Entenda

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

No começo do ano, os países se reuniram para debater um novo acordo nuclear, em um encontro descrito como "positivo" pelas delegações. Dias depois, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, e autorizou novos bombardeios contra o país, desta vez em parceria com Israel.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. As hostilidades ainda escalaram para o Estreito de Ormuz, pressionando a economia global.

No começo de abril, Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo, visando incentivar a retomada das negociações diplomáticas. Tal entendimento, que contou com a mediação do Paquistão, foi assinado no dia 17 de junho, garantindo um cessar-fogo de 60 dias para negociações de paz e a reabertura do Estreito de Ormuz. Na área nuclear, o acordo afirma que o Irã concordou em não desenvolver armas atômicas.

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