EUA concluem ofensiva no Irã e atingem 90 alvos militares
Comando Central confirma segunda rodada de bombardeios em dois dias; Teerã promete retaliar e diz que EUA violaram acordo de cessar-fogo


Imagens divulgadas pelo CENTCOM mostram o que seriam ataques contra alvos militares iranianos | Foto: Centcom
Os Estados Unidos concluíram a ofensiva militar contra o Irã, atingindo aproximadamente 90 alvos militares, informou o Comando Central das Forças Armadas dos EUA (CENTCOM) na noite desta quarta-feira (9).
Segundo os militares americanos, a operação teve como foco sistemas de defesa aérea, radares costeiros, depósitos de mísseis e drones, capacidades navais e infraestrutura logística ao longo da costa iraniana.
A ação marca o segundo dia consecutivo de bombardeios americanos e amplia a escalada do conflito entre Washington e Teerã, colocando em xeque o memorando de entendimento firmado em junho para encerrar as hostilidades.
Segundo os Estados Unidos, a ofensiva é uma resposta aos recentes ataques iranianos contra embarcações comerciais que transitavam pela região, considerada estratégica para o comércio mundial de petróleo.
Horas antes da operação, o presidente Donald Trump declarou que considerava encerrado o memorando de entendimento assinado com o Irã em 17 de junho e afirmou que os EUA "provavelmente" voltariam a atacar o país.
O presidente norte-americano voltou a afirmar que o objetivo dos Estados Unidos é promover a "desnuclearização do Irã".
O governo iraniano reagiu afirmando que Washington violou os compromissos previstos no memorando. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que o acordo previa um mecanismo baseado em "compromisso por compromisso" e acusou os Estados Unidos de romper unilateralmente os termos ao realizar novos ataques.
Baghaei também declarou que Teerã continuará defendendo sua soberania e seus interesses nacionais.
Escalada ameaça cessar-fogo
Segundo autoridades americanas ouvidas pela imprensa local, o cessar-fogo entre os dois países deixou de vigorar, ao menos temporariamente.
Um integrante do governo dos EUA afirmou ao Axios que a atual escalada poderá durar dias ou até semanas, dependendo da continuidade dos ataques iranianos contra navios comerciais no Estreito de Ormuz.
Em nova manifestação, o presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que qualquer novo ataque americano receberá uma resposta imediata.
A troca de ataques reduz as perspectivas de que o memorando assinado em junho evolua para um acordo permanente de paz e aumenta a preocupação internacional com os impactos do conflito sobre a segurança marítima e o mercado global de energia.














