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FBI investiga AFA por operações milionárias nos EUA

Autoridades investigam como mais de US$ 300 milhões (R$ 1,5 bilhão) circularam pelo sistema financeiro do país norte-americano

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Sofia Pilagallo
09/07/2026, 01:17 • Atualizado em 09/07/2026, 01:17
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Claudio 'Chiqui' Tapia, presidente da Associação de Futebol da Argentina | Foto: Reprodução/Instagram/@chiquitapia - 07.07.2026

Claudio 'Chiqui' Tapia, presidente da Associação de Futebol da Argentina | Foto: Reprodução/Instagram/@chiquitapia - 07.07.2026

Procuradores federais dos Estados Unidos e agentes do FBI iniciaram uma investigação preliminar sobre as operações financeiras da Associação Argentina de Futebol (AFA) no país. Segundo o jornal argentino "La Nación", as autoridades colhem depoimentos para esclarecer movimentações de mais de US$ 300 milhões (R$ 1,5 bilhão) no sistema financeiro americano.

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De acordo com a reportagem, os investigadores analisam a atuação da AFA durante a gestão de Claudio "Chiqui" Tapia e Pablo Toviggino, além das operações da TourProdEnter LLC, empresa de Javier Faroni que administrava contratos comerciais internacionais da entidade. Entre as possíveis testemunhas estão ex-integrantes do governo de Javier Milei e pessoas ligadas à associação.

A apuração começou a ganhar forma em 2025 e é conduzida pelos procuradores federais Patrick Gushue, Christopher Ting e Michael Berger. O foco principal está no rastreamento dos recursos administrados pela TourProdEnter LLC por meio do sistema bancário americano, incluindo a obtenção de documentos de instituições financeiras e entrevistas com pessoas que possam esclarecer as operações.

A publicação afirma que documentos bancários analisados pelo jornal indicam que a TourProdEnter LLC movimentou ao menos US$ 260 milhões (R$ 1,3 bilhão) em receitas da AFA por meio de contas abertas em cinco bancos dos EUA. Outros US$ 57 milhões (R$ 294,4 milhões) teriam sido distribuídos a empresas e beneficiários cuja justificativa econômica não estaria clara nos registros examinados.

O "La Nación" também relata que parte dessas transferências teria sido destinada a empresas que, segundo a documentação analisada pelo jornal, não prestavam serviços identificáveis, além de companhias ligadas a Pablo Toviggino e familiares. Essas operações fariam parte do material que o Departamento de Justiça e o FBI avaliam para decidir se abrirão uma investigação criminal formal.

Questionado pelo "La Nación", o Departamento de Justiça não comentou o andamento da apuração. Já a AFA participou, na semana passada, de um fórum realizado em Miami sobre futebol, corrupção e justiça. No evento, representantes da entidade defenderam o respeito à presunção de inocência e afirmaram que "medidas investigativas por si só não determinam responsabilidade ou culpa".

O interesse das autoridades dos EUA nas operações financeiras da AFA não é recente. Segundo o "La Nación", em setembro de 2024, o Ministério da Segurança da Argentina, então chefiado por Patricia Bullrich, repassou informações às autoridades americanas sobre possíveis irregularidades envolvendo a entidade, após uma reunião com o empresário Guillermo Tofoni.

Na época, o FBI concluiu que não havia elementos suficientes para abrir uma investigação formal. O cenário teria começado a mudar a partir do fim de dezembro, após a publicação de reportagens do "La Nación" que revelaram uma rede de transações financeiras e societárias ligadas à AFA no estado da Flórida.

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