Ex-juíza dos EUA não será presa por ajudar imigrante a fugir
Hannah C. Dugan orientou um mexicano a deixar um tribunal por uma saída lateral depois de saber que agentes federais o aguardavam no corredor
Sofia Pilagallo
09/07/2026, 00:29 • Atualizado em 09/07/2026, 00:29
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A ex-juíza Hannah C. Dugan | Foto: Reuters - 08.07.2026
A Justiça dos Estados Unidos decidiu não impor pena de prisão à ex-juíza Hannah C. Dugan, condenada por obstruir agentes federais de imigração ao ajudar um imigrante em situação irregular a evitar a prisão. Em vez da detenção, ela foi condenada ao pagamento de uma multa de US$ 5 mil (cerca de R$ 25,8 mil).
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A sentença foi anunciada nesta quarta-feira (8), em um tribunal de Milwaukee, meses após o veredito de um júri federal. Embora o crime previsse pena de até cinco anos de prisão e os promotores defendessem entre 15 e 21 meses de detenção, o juiz Lynn Adelman optou apenas pela multa.
O caso ocorreu em 18 de abril de 2025. Segundo a acusação, Dugan orientou o mexicano Eduardo Flores-Ruiz, acusado de violência doméstica, a deixar o tribunal por uma saída lateral depois de saber que agentes federais aguardavam no corredor para prendê-lo. O homem conseguiu sair do prédio, mas foi capturado nas proximidades após uma perseguição e deportado meses depois.
Ao anunciar a sentença, Adelman afirmou que Dugan é "uma pessoa boa em todos os outros aspectos" e que tomou "uma decisão errada naquele momento". Para o magistrado, o caso não se compara a episódios de corrupção em que agentes públicos utilizam o cargo para obter vantagens pessoais.
Durante a audiência, Dugan afirmou que, ao longo de mais de um ano, o processo foi transformado em uma disputa política. "Fui retratada tanto como uma transgressora quanto como uma heroína. Não sou nenhuma das duas. Sou uma servidora pública que estava apenas tentando fazer meu trabalho", declarou.
O Departamento de Justiça criticou a decisão e informou que avalia recorrer para buscar uma punição mais severa. Em nota, a pasta afirmou que está "analisando todas as opções possíveis para garantir que a justiça seja feita neste caso", enquanto o procurador federal Brad Schimel disse que as ações da ex-juíza criaram "riscos desnecessários para todos os envolvidos".
A defesa sustentou que Dugan já havia sido suficientemente punida ao renunciar ao cargo e enfrentar ampla exposição pública, além de não possuir antecedentes criminais. Os advogados afirmaram ainda que ela foi alvo de uma campanha de humilhação promovida por integrantes do Departamento de Justiça e do FBI e que não há risco de reincidência, já que deixou a magistratura.
A condenação ocorre em meio à ofensiva do governo Donald Trump contra estados e cidades que restringem a cooperação com agentes federais de imigração. Nos últimos meses, o Departamento de Justiça abriu ações contra governos locais que adotam políticas de proteção a imigrantes e ampliou operações do serviço de imigração em diferentes regiões do país.
Ex-juíza dos EUA não será presa por ajudar imigrante a fugirHannah C. Dugan orientou um mexicano a deixar um tribunal por uma saída lateral depois de saber que agentes federais o aguardavam no corredorMundo2026-07-09T00:29:26.525ZA Justiça dos Estados Unidos decidiu não impor pena de prisão à ex-juíza Hannah C. Dugan, condenada por obstruir agentes federais de imigração ao ajudar um imigrante em situação irregular a evitar a prisão. Em vez da detenção, ela foi condenada ao pagamento de uma multa de US$ 5 mil (cerca de R$ 25,8 mil). A sentença foi anunciada nesta quarta-feira (8), em um tribunal de Milwaukee, meses após o veredito de um júri federal. Embora o crime previsse pena de até cinco anos de prisão e os promotores defendessem entre 15 e 21 meses de detenção, o juiz Lynn Adelman optou apenas pela multa. O caso ocorreu em 18 de abril de 2025. Segundo a acusação, Dugan orientou o mexicano Eduardo Flores-Ruiz, acusado de violência doméstica, a deixar o tribunal por uma saída lateral depois de saber que agentes federais aguardavam no corredor para prendê-lo. O homem conseguiu sair do prédio, mas foi capturado nas proximidades após uma perseguição e deportado meses depois. Ao anunciar a sentença, Adelman afirmou que Dugan é "uma pessoa boa em todos os outros aspectos" e que tomou "uma decisão errada naquele momento". Para o magistrado, o caso não se compara a episódios de corrupção em que agentes públicos utilizam o cargo para obter vantagens pessoais. Durante a audiência, Dugan afirmou que, ao longo de mais de um ano, o processo foi transformado em uma disputa política. "Fui retratada tanto como uma transgressora quanto como uma heroína. Não sou nenhuma das duas. Sou uma servidora pública que estava apenas tentando fazer meu trabalho", declarou. O Departamento de Justiça criticou a decisão e informou que avalia recorrer para buscar uma punição mais severa. Em nota, a pasta afirmou que está "analisando todas as opções possíveis para garantir que a justiça seja feita neste caso", enquanto o procurador federal Brad Schimel disse que as ações da ex-juíza criaram "riscos desnecessários para todos os envolvidos". A defesa sustentou que Dugan já havia sido suficientemente punida ao renunciar ao cargo e enfrentar ampla exposição pública, além de não possuir antecedentes criminais. Os advogados afirmaram ainda que ela foi alvo de uma campanha de humilhação promovida por integrantes do Departamento de Justiça e do FBI e que não há risco de reincidência, já que deixou a magistratura. A condenação ocorre em meio à ofensiva do governo Donald Trump contra estados e cidades que restringem a cooperação com agentes federais de imigração. Nos últimos meses, o Departamento de Justiça abriu ações contra governos locais que adotam políticas de proteção a imigrantes e ampliou operações do serviço de imigração em diferentes regiões do país.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/ex-juiza-dos-eua-nao-sera-presa-por-ajudar-imigrante-a-fugir
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