Exército de Israel diz ter destruído avião de antigo líder supremo do Irã
Aeronave pertencia ao falecido Ali Khamenei, mas também era utilizada por outras autoridades de alto escalão do regime


Camila Stucaluc
O Exército de Israel afirmou que destruiu o avião que era utilizado pelo ex-líder supremo do Irã, Ali Khamenei, morto num ataque em 28 de fevereiro. O ataque teria ocorrido na madrugada desta segunda-feira (16), no Aeroporto Mehrabad, em Teerã.
Segundo os militares, a aeronave foi utilizada por Khamenei e altos funcionários do regime para adquirir equipamentos militares. As autoridades também agiram na coordenação de ações com países do chamado “Eixo da Resistência” — aliança informal focada na oposição aos Estados Unidos e Israel.
“A destruição desse avião prejudica a capacidade da liderança do sistema terrorista iraniano de coordenar com os países do Eixo e construir poder militar, bem como a capacidade do regime de reconstruir suas capacidades”, disse o porta-voz das Forças de Defesa de Israel, Avichay Adraee.
Ali Khamenei governou o Irã por quase 40 anos. Ele foi morto após um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel atingir o escritório onde trabalhava, em Teerã, no dia 28 de fevereiro. Filho de Ali e atual líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, também ficou ferido em decorrência dos bombardeios.
Mojtaba não é visto desde que foi nomeado para o cargo, em 8 de março. Segundo fontes do regime, ele foi levado para um local escondido devido às recentes ameaças do Exército de Israel, que afirmou que “continuará perseguindo” qualquer sucesso de Ali Khamenei, bem como os responsáveis pela escolha do novo líder supremo.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".
As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.









