Ricardo Nunes descarta construção de parque após demolição do Caveirão no centro de SP
Prefeito afirma que área do imóvel inacabado desde 1964 será requalificada para abrigar novo espaço de lazer



Larissa Alves
Julia Vilela
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), descarta a possibilidade da criação de um parque no local que abriga o chamado “Caveirão”, na rua do Carmo, no centro da capital paulista.
Com 25 andares, além do subsolo, o imóvel sexagenário começou a ser demolido nesta quarta-feira (29).
Durante o cumprimento de uma agenda no centro de São Paulo, o prefeito Ricardo Nunes afirmou que a gestão municipal estuda ampliar a praça já existente no local para criar uma área de lazer.
“A gente vai ampliar aquela área de praça, deixar aquela área mais bonita, tirar aquela coisa feia ali. É um Caveirão, nome posto popularmente, que vai sair e vai entrar um espaço requalificado para uso da população”, afirmou Nunes.
A obra, segundo a prefeitura, representa um avanço estratégico nos projetos de revitalização do centro e visa garantir mais segurança para a região, já que o prédio tem histórico de ocupações e apresenta riscos estruturais, não somente para a própria construção, mas para outros imóveis, inclusive tombados, no entorno — um deles de 1912.
A demolição está sendo feita de forma manual, de cima para baixo, sem uso de explosivos, e com um planejamento estratégico para não danificar nenhuma edificação vizinha.
“É mais uma das ações apra deixar a cidade mais bonita, além do cuidar, investimos R$ 1 bilhão para poder incentivar que prédios ociosos sejam recuperados”, afirmou Nunes.
Moradores e comerciantes relatam que o edifício inacabado foi, durante muitos anos, usado como ponto de drogas e para ocupação irregular.
Marcelo Condes é comerciante, tem uma loja na rua do Carmo, local onde fica o Caveirão, e contou à reportagem que muitos clientes desistem de ir ao estabelecimento por causa do endereço.
“Eu recebia ligações e quando eu dizia que estava na rua do Carmo o pessoal falava: não, na rua do Carmo está muito perigoso”, afirmou.
O comerciante também questionou a falta de preservação do local, que hoje também poderia ter o mesmo valor que os prédios tombados ao redor.
“Talvez se tivéssemos preservado ele ao longo desses anos, com certeza ele poderia ter sido um prédio de moradia popular para muitas famílias, talvez um hospital, uma área de lazer, mas como as coisas são muito lentas no nosso país, ele agora vai realmente se tornar passado”, ressaltou.
Apesar da sensação de insegurança, muitos lamentam a demolição, como Marcos Fernando Andrade, advogado que tem um escritório na rua paralela desde 2006.
“Durante anos a gente assistiu esse prédio sem nenhum projeto pra ele e agora nós vimos que vai ser demolido, mas que durante muito tempo foi ponto de ocupação e de usuários de drogas, o que é uma pena também”, contou.
Andrade diz que anseia por um estacionamento no espaço que, para ele, facilitaria para quem vai ao centro, seja a lazer ou a trabalho.
Segundo a prefeitura, o cronograma das obras começou oficialmente com a emissão da ordem de serviço em agosto de 2025. O investimento inicial é de R$ 6 milhões e a previsão é que os trabalhos sejam concluídos em novembro de 2026.









